Governo paulista apoia atletas brasileiros nas Paralimpíadas

Time São Paulo Paralímpico disputará provas de atletismo, bocha, tênis de cadeira de rodas, tênis de mesa, judô, natação, paracanoagem, remo e vela

Criado em 2011, o programa Time São Paulo Paralímpico é fruto de convênio firmado entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Atualmente, essa parceria fornece ajuda de custo para 44 atletas e treinadores, dá suporte para a aquisição de materiais esportivos e banca os gastos com viagens em competições preparatórias das Paralimpíadas, torneio mundial que será disputado no Rio de Janeiro, de 7 a 18 de setembro.

Na soma de resultados dos Jogos de Pequim 2008 com as Paralimpíadas de Londres 2012, o Time São Paulo Paralímpico conquistou 60% das medalhas nacionais. Além disso, no torneio disputado em solo britânico, o Brasil terminou em 7º lugar no ranking geral, com 21 medalhas de ouro, 14 de prata e 8 de bronze. Dessas 43 medalhas, 25 foram do Time São Paulo Paralímpico, sendo 16 ouros, 6 pratas e 3 bronzes, nas modalidades atletismo, natação, bocha e judô.

Olímpica e paralímpica

Catarinense de Criciúma, Bruna Alexandre, de 21 anos, competiu na Olimpíada Rio 2016 e, agora, estará novamente nas Paralimpíadas. Integrante do Time São Paulo Paralímpico, ela joga tênis de mesa na classe 10, reservada aos atletas com deficiência mais leve. Amputada do braço direito, começou a jogar aos 7 anos por influência do irmão. Em pouco tempo, descobriu sua vocação para o esporte de alto rendimento e terminou em 5º lugar nas Paralimpíadas de Londres 2012.

“Sou canhota, uma dificuldade a mais para minhas adversárias, destras na maioria. Também tenho treinado forte e me vejo em condições de disputar a final”, revela a mesatenista. Atleta do Circolo Italiano e moradora de São Caetano do Sul, ela conquistou dois bronzes inéditos para o Brasil, nas provas simples e de duplas do Mundial Paralímpico disputado em Pequim, na China, em 2014.

Para as Paralimpíadas do Rio, Bruna prevê um caminho duro até o pódio, podendo ‘topar’ com a chinesa Yang Quian e com a polonesa Natalia Partyca, seu ídolo de infância e ainda referência no esporte. “Quem sabe não terei a chance de ganhar delas?”, sonha.

Veterano

O carioca André Brasil é uma das principais esperanças de medalhas para o Brasil nas piscinas. Nadador do Esporte Clube Pinheiros, da capital, e integrante do Time São Paulo Paralímpico, vai disputar nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro seis provas individuais: 50 metros livres, 100 metros livres, 400 metros livres, 100 metros borboleta, 200 metros costas e 200 metros medley; e duas de revezamento: 4×100 metros livres e 4×100 metros medley.

André tem 32 anos e pretende competir até os 36 anos. Ele começou no paradesporto, em 2006, e tem em seu currículo seis recordes mundiais, 31 medalhas de ouro, nove de prata e três de bronze. Experiente, vê como fundamental o apoio governamental e privado para o esporte, especialmente para formar novas gerações de atletas e chamar a atenção da sociedade para questões de inclusão social e cidadania. “Com infraestrutura excelente, o Centro Paralímpico Brasileiro, recém-inaugurado, foi um passo fundamental nesse sentido”, observa.

Com investimento de R$ 308 milhões, o centro ocupa 140 mil metros quadrados de área e tem hotel com 300 leitos adaptados aos para-atletas e treinadores. Está instalado no km 11 da Rodovia dos Imigrantes, na saída de São Paulo para o litoral sul paulista, e oferece atendimento em 15 modalidades paralímpicas. Foi construído por meio de parceria entre a secretaria, o CPB e o Ministério do Esporte.

Corrida do ouro

A central da equipe brasileira de golbol, Simone Rocha, atleta do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), aposta na modalidade como um dos prováveis pódios do Brasil nas Paralimpíadas. “Meu sonho é vencer na final os Estados Unidos, atuais campeões mundiais, e fazer bonito diante de outras equipes fortes, como China e Turquia”, revela a jogadora, uma das seis convocadas pelo técnico Dailton Freitas para disputar o torneio mundial no Rio.

Policial civil, Simone é agente de comunicações na 5ª Delegacia Seccional, localizada no bairro do Belenzinho, na zona leste da capital. Atleta desde os 18 anos, participou do Parapan, disputado em Guadalajara 2001, no México. Também competiu na Paralimpíada de Atenas 2004 e durante algum tempo se dividiu-se entre o atletismo e o golbol. Hoje, com 40 anos, dedica-se exclusivamente ao golbol, sua paixão maior.

Direcionado para pessoa com deficiência visual, o golbol é disputado por duas equipes de três jogadores numa quadra com dimensões iguais às do vôlei. O objetivo dos times é atingir o gol adversário, arremessando uma bola de 1,25 quilo com guizos em seu interior.

Para equilibrar a disputa, todos os atletas jogam vendados e o silêncio é obrigatório, para permitir a concentração dos participantes. As partidas são realizadas em dois tempos de 12 minutos cronometrados. Porém, se uma equipe conseguir abrir dez gols de vantagem, o jogo termina. “Fico posicionada no meio do gol, minha função principal é defender os chutes adversários, uma das principais estratégias para vencer”, diz Simone.

Em equipe

Renata da Silva, professora de história da EE Vila Olinda II, na cidade de Embu das Artes, integra a equipe (staff) da seleção brasileira de bocha. Disputada por homens e mulheres juntos e por atletas com paralisia cerebral ou deficiências severas, essa modalidade deu ao Brasil sua primeira medalha paralímpica: uma prata obtida pela dupla Robson Almeida e Luiz Carlos Costa, na modalidade lawn bowls, no Jogos de Toronto 1976. Na Rio 2016, serão disputadas provas individuais, em duplas e por equipes.

Renata atua como ‘calheira’ da classe BC3, uma das quatro categorias de para-atletas da bocha. Sua função é ajudar o cadeirante a manipular instrumentos de auxílio durante as partidas, como capacete e calha de lançamentos, entre outros. Baseado em arremessos ‘estratégicos’ com as mãos, o jogo consiste em aproximar ao máximo as bolas coloridas de cada jogador de uma branca. “Vamos ao Rio para buscar medalhas, mas o primordial é sempre apoiar o paradesporto, sinônimo de inclusão social e cidadania”, observou.

Serviço

Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa Com Deficiência
Time São Paulo Paralímpico
Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
Centro Paralímpico Brasileiro
Jogos Olímpicos e Paralímpicos Brasil 2016

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 30/08/2016. (PDF)

Unicamp inova na área do esporte paralímpico

Pioneiro, departamento da Faculdade de Educação Física formou centenas de profissionais especializados na reabilitação, iniciação na atividade esportiva e no treinamento do esporte de alto rendimento de pessoas com deficiência

Avançar e inovar na área de educação física adaptada e formar profissionais especializados em pesquisa, reabilitação e esporte de alto rendimento de pessoas com deficiência. Essa é a meta dos professores e alunos do Departamento de Estudos de Atividade Física Adaptada da Faculdade de Educação Física (FEF) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pioneiro no País, o projeto acadêmico com atividades paralímpicas teve início em 1987 com o trabalho dos docentes Edison Duarte e José Luiz Rodrigues, entre outros acadêmicos. No mesmo ano, o atleta José Júlio Gavião de Almeida, recém-retornado de campeonato mundial de tae kwon do, na Coreia do Sul, ingressou no corpo docente da Unicamp e foi desafiado pelo professor Duarte a especializar-se também em educação física adaptada. A parceria prossegue até hoje.

Classificação

“O esporte é um meio saudável para diminuir a desvantagem natural da pessoa com deficiência”, destaca Duarte, mencionando outros benefícios, como o resgate da identidade do indivíduo, muitas vezes perdida por causa da limitação física, sensorial ou intelectual. “Além disso, o aumento da confiança e do condicionamento físico, entre outras questões, amplia as possibilidades de ingresso e de permanência desse atleta nas competições e no mercado de trabalho”, explica.

Atualmente, além das atividades na Unicamp, Duarte atua como classificador brasileiro e internacional da modalidade esgrima em cadeira de rodas. Essa tarefa consiste em identificar, em conjunto com médicos e fisioterapeutas, o nível de deficiência de cada atleta, para garantir a igualdade de disputa nas competições, sendo a função reconhecida pelo Comitê Paralímpico Internacional (International Paralympic Committee – IPC).

Cooperação

As informações obtidas e provenientes dos ex-alunos, a partir da evolução dos esportistas, são imprescindíveis para a universidade manter-se atualizada, informa Gavião de Almeida. Para ele, todo atleta paralímpico, além de representar superação e persistência, é um caso único para a ciência. “Na FEF da Unicamp, procuramos manter contato inclusive com quem não trabalha mais conosco”, observa o professor, que foi o primeiro coordenador da Academia Paralímpica Brasileira, criada em 2010.

Na avaliação do docente, o progresso individual de cada atleta amplia as possibilidades de inovação na área de educação física adaptada e abre mais campos para a pesquisa. Outros desdobramentos são ampliar o debate e os conhecimentos em temas como acessibilidade, materiais esportivos, entre outros assuntos. “O trabalho vai além das atividades regulares de ensino, pesquisa e extensão, que são o tripé estrutural da universidade pública”, observa.

Esportes

Organizadas pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), os jogos paralímpicos são a maior competição mundial para pessoas com deficiência. Nas competições, os participantes são divididos em cinco categorias: paralisados cerebrais, deficientes visuais, atletas em cadeira de rodas, amputados e atletas com outros tipos de deficiências.

A maioria das modalidades é inspirada nos esportes olímpicos tradicionais – atletismo, natação, tênis, judô, tênis de mesa, futebol, basquete, entre outros. Apenas há adaptação das regras e dos modos de disputa. Há ainda modalidades exclusivas como, por exemplo, o golbol. Nesse jogo, disputado numa quadra com dimensões e traçados parecidos com a do vôlei, o objetivo das duas equipes de três jogadores cada uma é rolar a bola com guizos em direção ao gol adversário.

Números

Outro viés do trabalho da Unicamp é oferecer respostas às demandas da sociedade, em especial aquelas direcionadas à inclusão social e à diversidade. Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do Estado de São Paulo é estimada em 41,2 milhões – desse total, 23,9%, ou 9,8 milhões de pessoas, têm algum tipo de deficiência.

No panorama nacional, os porcentuais são parecidos: dos 190,7 milhões de habitantes apurados no Censo 2010, 45,5 milhões – quase um a cada quatro brasileiros – integram o grupo, com deficiências adquiridas no nascimento ou ao longo da vida.

Origem

Em cada país, a educação física adaptada teve origem e desenvolvimento distintos. No Canadá, surgiu nos clubes; nos Estados Unidos, no voluntariado e nos clubes; e na Inglaterra, em centros de reabilitação. No Brasil, a principal referência é a universidade pública, desde a iniciação até o esporte de alto rendimento. No entanto, para participar de competições, o atleta deve ser vinculado a um clube.

O trabalho da FEF da Unicamp com educação física adaptada tem repercussão nacional. Nas últimas décadas, a universidade formou centenas de professores, treinadores, fisiologistas e preparadores físicos especializados. Atualmente, muitos ex-alunos ocupam funções diversas no Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e integram o corpo docente de outras instituições e de universidades parceiras, como as federais de Uberlândia e de São Paulo, também referências na área.

Alguns estudos acadêmicos da FEF colaboraram para o desenvolvimento do parabadminton, para tae kwon do, esgrima em cadeira de rodas, golbol, futebol de 5, atletismo, natação e ciclismo. Além disso, o parabadminton e o para tae kwon do estrearão nos Jogos de Tóquio 2020, no Japão.

Potência

A primeira paralimpíada foi disputada em Roma, na Itália, em 1960. O Brasil estreou em 1972, em Heidelberg, na Alemanha, sem trazer medalhas. Em 1976, nos jogos disputados em Toronto (Canadá), a delegação brasileira incluiu atletas mulheres pela primeira vez e conseguiu o primeiro pódio, com uma medalha de prata conquistada pela dupla Robson Almeida e Luiz Carlos Costa, na modalidade lawn bowls, espécie de bocha jogada na grama.

Em 2014, pela primeira vez, o CPB enviou dois atletas para competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno, em Sóchi, na Rússia. E nas paralimpíadas de verão, os pioneiros, o País segue melhorando seu desempenho a cada nova edição. “A expectativa para a certame disputado em solo brasileiro é conseguir o 5º posto na classificação geral”, observam os pesquisadores Duarte e Gavião de Almeida.

Em 1996, em Atlanta (Estados Unidos), a delegação brasileira terminou na 37ª colocação geral; em 2000, em Sidney (Austrália), acabou no 24º lugar; em 2004, em Atenas, capital da Grécia e país de origem dos esportes olímpicos, conseguiu o 14º posto; em 2008, em Pequim (China), ficou em 9º; e em 2012, em Londres (Inglaterra), obteve a 7ª colocação no ranking geral.

Neste ano, no Rio de Janeiro, a paralimpíada será disputada de 7 a 18 de setembro nas seguintes modalidades: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, canoagem, ciclismo de estrada, ciclismo de pista, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, futebol de 7, golbol, halterofilismo, hipismo, judô, natação, remo, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, vela e vôlei sentado.

Segredos

Uma das estratégias da FEF para descobrir e lapidar novos talentos é acompanhar torneios paralímpicos realizados todos os anos nas cinco regiões brasileiras. Outro trunfo é apostar em diversas modalidades, como, por exemplo, oferecer cursos de extensão universitária de rúgbi em cadeira de rodas, esgrima em cadeira de rodas, parabadminton, paraesgrima, paracanoagem, paratae kwon do, atletismo, natação e ciclismo, entre outras.

Além do corpo docente, o trabalho do Departamento de Estudos de Atividade Física Adaptada abrange alunos de graduação e pós-graduação, investindo na diversidade de esportes paralímpicos. A lista inclui os professores João Paulo Borin, fisiologista do exercício especializado em futebol de 5, Marcos Uchida, especialista em força e estudos do paraciclismo, e José Irineu Gorla, especialista em avaliação física.

Variedades

O futebol de 5 é tema do projeto acadêmico do doutorando Luis Felipe Campos. Preparador físico da seleção brasileira desse esporte, ele é também “chamador” nas partidas, isto é, posicionado atrás do gol, passa referências do campo para os atletas com deficiência visual.

O mestrando Maicon Pereira atua como preparador físico de esgrima em cadeira de rodas; seu colega de pós-graduação Luiz Gustavo Santos é preparador físico da Seleção Brasileira de paracanoagem e treina 12 atletas na Raia Olímpica da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, na capital.

A mestranda Thálita Santos especializa-se na área de lesões em nadadores – e trabalhará como voluntária nas piscinas dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Sua colega Mariane Ferreira, ciclista de elite (profissional), atua como piloto de atleta com deficiência visual em provas de ciclismo.

Outra ação direcionada à iniciação e inclusão no esporte paralímpico é um convênio da Unicamp com a prefeitura de Campinas. Realizado pela professora Maria Luiza Alves, o trabalho consiste em garantir que crianças com deficiência matriculadas na rede pública municipal tenham autonomia e acesso ao esporte adaptado e na capacitação dos professores para atendê-las adequadamente.


Ninho de campeões

Cursando mestrado, o ex-aluno da Faculdade de Educação Física da Unicamp Diego Gamero é um dos preparadores físicos do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) nos treinos preparatórios da delegação brasileira para os jogos deste ano. Além de orientar, ele auxilia na montagem e disposição de equipamentos, como o banco da prova de arremesso usado por competidores de diversas modalidades de atletismo.

No Centro Paraolímpico Brasileiro (inaugurado no mês passado), localizado na zona sul da capital, Diego acompanha os treinos de Bete Gomes, para-atleta de lançamentos de dardo, peso e disco. Com 51 anos, ela conta ter sido na juventude agente da Guarda Civil de Santos e campeã paulista de vôlei, antes de desenvolver esclerose múltipla, em 1996. A doença não a impediu de ser atleta de basquete em cadeira de rodas até 2010. Com a evolução do quadro da doença, hoje dedica-se ao atletismo.

“O esporte sempre foi primordial na minha reabilitação. Treino cinco horas diárias, de segunda-feira a sábado – e toda a equipe técnica e de apoio evolui junto na preparação”, diz Bete. Ela representou o Brasil na Paralimpíada de Pequim, em 2008, na modalidade basquete; três anos depois, no arremesso de peso, disputou as provas do Pan-Americano de Guadalajara, no México.

Ouro e prata

José Humberto Rodrigues, cadeirante, treina lançamento de dardos. Com 45 anos e para-atleta desde 2009, o mineiro de Uberaba segue treinando forte. Recordista brasileiro da modalidade, disputa com mais 56 atletas as 39 vagas da delegação nacional nessa modalidade dos jogos do Rio 2016.

Pretendo brigar pelo ouro”, conta. No ano passado, no Mundial Paralímpico de Atletismo, disputado em Doha, no Catar, Rodrigues lançou um dardo a 28,33 metros de distância. Essa marca rendeu-lhe a medalha de prata. “Agora, o céu é o limite, literalmente”, acredita.

Internacional

Os fisiologistas do exercício, Thiago Lourenço e Fernando Catanho, ambos doutores pela FEF da Unicamp, contam que sua tarefa é trazer a ciência para as arenas esportivas. A dupla acompanha treinamentos, monitora a evolução dos atletas e municia os treinadores do Comitê Paralímpico Brasileiro com informações apuradas nos treinos e competições, entre outras tarefas. “Com partilhar os progressos obtidos com os colegas da academia é imprescindível. Eles sempre têm considerações valiosas sobre o trabalho e todos evoluímos em conjunto”, contam os especialistas.

Doutor em educação física pela FEF e professor da Unifesp, Ciro Winckler é o atual coordenador técnico de atletismo do CPB. Um dos responsáveis pela gestão do Centro Paraolímpico Brasileiro, ele diz que o complexo criado para treinamento e avaliação de atletas paradesportivos é de referência internacional e será um dos maiores legados da Paralimpíada do Rio 2016.

Com investimento de R$ 308 milhões, o centro ocupa 140 mil metros quadrados de área e tem hotel com 300 leitos adaptados aos para-atletas e treinadores. Instalado no Parque Fontes do Ipiranga, foi projetado para atender 15 modalidades paralímpicas e construído a partir de parceria entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Comitê Paralímpico Brasileiro e o Ministério do Esporte.

Atletismo

Claudiney Santos conquistou medalhas de prata nos Jogos de Londres 2012 e no Mundial Paralímpico disputado no Catar, em 2015, no arremesso de disco. Na sua avaliação, o Centro Paraolímpico representa um grande passo para a evolução nacional do esporte paralímpico. “As instalações favorecem a quebra de recordes e me dedico diariamente a superar minha melhor marca pessoal, de 42,09 metros”, pondera o atleta da categoria amputados.

Shirlene Coelho é outra promessa de medalha para o Brasil. Atleta com paralisia cerebral, integra a Seleção Brasileira permanente de atletismo. Ela estreou nos Jogos de Pequim 2008 e conquistou a medalha de prata no lançamento de dardo. Quatro anos depois, em Londres, levou o ouro com direito à quebra de recorde mundial e detém, atualmente, a marca de 37,86 metros, uma das melhores da modalidade.

Entrosamento

Monitorado por uma fotocélula, espécie de cronômetro que apura o desempenho de um corredor em diversos intervalos de uma prova, Felipe Gomes esmera-se nos treinos com seu guia, Jonas Alexandre, para as provas dos 100 metros, 200 metros, 400 metros e revezamento 4×100 metros.

“Ter guia é imprescindível. Ele sincroniza seus passos com os meus, orienta sobre os limites da pista e informa sobre qual ritmo devo adotar em cada etapa da prova”, explica o carioca Felipe, medalha de ouro nos 200 metros na Paralimpíada de Londres 2012 e no Mundial de Doha, no ano passado. “Nossos treinamentos diários ampliam o entrosamento e têm possibilitado aprimorar meus índices”, revela.

Serviço

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente nas páginas II e III do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 22/06/2016. (PDF)

Bibliotecas da USP recebem kits de acessibilidade social

Equipamentos com ampliador digital e leitor autônomo facilitam a leitura e o aprendizado de pessoa com deficiência visual, parcial ou total

A Universidade de São Paulo (USP) disponibilizou três conjuntos de equipamentos (kits) de leitura para pessoa com deficiência visual, parcial ou total. À disposição da comunidade acadêmica e demais usuários das bibliotecas universitárias, o primeiro deles foi instalado na Biblioteca do Câmpus de Ribeirão Preto (BCRP).

O segundo kit foi montado na sala de acessibilidade da biblioteca da Faculdade de Educação (FE), da Cidade Universitária, na zona oeste de São Paulo. O último conjunto tem entrega e operação previstas para outubro, tendo como destino a biblioteca da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), da USP Leste, na capital.

Assistivo

Cada kit custa em média R$ 16 mil e inclui duas máquinas com sistemas de informática com vida útil prevista para vários anos. Ambas têm software (programas) e hardware (placas e demais componentes) projetados especificamente para facilitar a leitura de impressos para pessoa com deficiência visual.

O leitor autônomo é o primeiro dispositivo inclusivo do kit. Seu sistema “fotografa” páginas de livros e reconhece o conteúdo. Na operação, lê de modo linear o texto impresso e o transmite para os fones de ouvido do cego, que, com um teclado, controla a velocidade da leitura, podendo avançar ou retroceder rapidamente para outras linhas e parágrafos. Se o usuário tiver visão parcial, pode ampliar trechos da página com o teclado e conferir o resultado do zoom na tela do equipamento.

A linha em braile é o segundo dispositivo assistivo do kit. Parecido com um teclado de computador, funciona em conjunto com o leitor autônomo. Seu sistema decodifica o texto escaneado da página e o converte para os 64 sinais da linguagem braile. Estes são representados em alto-relevo em uma superfície perfurada do teclado. Nela, pequenos pinos se alternam, subindo e descendo, formando os símbolos e permitindo ao cego fazer a leitura tátil do conteúdo.

A biblioteca da FE dispõe também de terceiro equipamento para auxiliar pessoas com visão diminuída, chamado ampliador digital. Com operação similar à de uma lupa, sua lente dá zoom em trechos das páginas e reproduz, com nitidez e de modo instantâneo, o conteúdo impresso em um monitor de computador.

Ler e estudar

“O objetivo dos kits é fortalecer ainda mais a inclusão social na universidade”, destaca Anderson de Santana, chefe da Divisão de Desenvolvimento e Inovação do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) da USP. “Além da leitura, equipamentos possibilitam ao aluno, professor ou funcionário cego ou com visão parcial estudar. Funcionam também com arquivos armazenados por eles em e-mails e pendrives pessoais”, informa.

Antes do retorno dos kits para a universidade, Anderson conta que os três integraram a exposição Conhecimento: Custódia e Acesso. Realizada de 2012 a 2014, essa mostra celebrou 30 anos de criação do SIBi e foi atração em diversos eventos em instituições culturais, como o Museu da Língua Portuguesa, vinculado à Secretaria Estadual da Cultura. Esteve também na Bienal do Livro de São Paulo e nas Feiras do Livro de Ribeirão Preto e Educar, na capital.

Segurança

“A maioria das pessoas com deficiência que ingressa na universidade costuma conhecer o ampliador digital e o leitor autônomo. Ambos são de uso simples e aprendizado rápido”, diz Lina Flexa, diretora da biblioteca da FE.

Segundo ela, o kit representa mais um passo da USP para ampliar o acesso aos acervos acadêmicos. Lina diz se orgulhar de comandar uma das bibliotecas campeãs de acessibilidade da universidade pública paulista. Como exemplo, cita a entrada do prédio que não tem capachos, pois podem prejudicar o acesso de pessoas com muletas e andadores.

Os cuidados seguem com o piso tátil para orientar deslocamentos. O mobiliário adaptado inclui balcão rebaixado, mesas com altura regulável (para cadeirantes), elevador, banheiros e bebedouros exclusivos para pessoas com deficiência. Além disso, as estantes e a escada são sinalizadas com painéis em braile.

Faz tudo

Thiago Freires, um dos bibliotecários responsáveis pelo atendimento ao público, confirma a facilidade de uso dos aparelhos do kit. Na USP desde 2009, ele assina e apresenta o vídeo institucional do site da biblioteca, que tem sete minutos de duração e traz todas as informações sobre o acervo, consultas e demais serviços da biblioteca da FE (ver link em serviço).

Ele conta que, diariamente, cerca de 400 pessoas circulam pelos três pisos (térreo e dois andares) do edifício próprio. Com 25 funcionários, a biblioteca da FE abre de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 22 horas, e aos sábados, das 9 às 13 horas.

Serviço

Bibliotecas da USP com kits de acessibilidade:

Central USP Ribeirão Preto
Faculdade de Educação da USP
Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página III do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 22/09/2015. (PDF)