As supermulheres do Estado

Foi-se o tempo em que o serviço público era território dos homens. Aos poucos, as mulheres foram chegando e tomando conta do espaço – com competência

O Estado de São Paulo tem 372 mil servidoras públicas na ativa. Elas estão em todas as áreas e ocupam todos os cargos. No universo público, não há mais espaço exclusivo para homens.

Na Polícia Militar de São Paulo, por exemplo, elas ocupam altos cargos hierárquicos – coronéis e tenentes-coronéis. Neste ano, três mulheres passaram a comandar, pela primeira vez, três instituições consideradas território masculino: o DHPP, o Instituto de Criminalística e o Metrô de São Paulo. Na área acadêmica, a professora Marilza Vieira Cunha Rudge assumiu a vice-diretoria da Unesp, fato que ocorre pela primeira vez.

O tempo de permanência nos postos de trabalho, também, é outra característica do universo feminino. Algumas servidoras estão no cargo há 40 anos, como Ana Lúcia Negrão Fernandes, professora de Matemática, na Escola Estadual Horácio Soares, em Ourinhos.

No campo do entretenimento, Inezita Barroso esbanja vitalidade aos 88 anos e comanda há 33, o Viola, minha Viola, que vai ao ar pela TV Cultura.

“A parte mais difícil é conciliar todos os papéis femininos. Trabalhar fora e cuidar de todos os “cês” da nossa vida (casa, crianças, cônjuge, comentários) é tarefa para leoa. Mas existe o cê de consciência, que é maior”. O depoimento de Laura Molina Meletti, pesquisadora científica do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), revela ainda a preocupação das mulheres em conciliar carreira com família. Elas têm dado conta do recado.

Justiça

Quando se trata de Direitos Humanos, três mulheres (Elaine Cavalcante, Juliana Armede e Cristiane Pereira) arregaçam as mangas e não medem esforços para ajudar os mais necessitados. Principalmente quando o assunto é violência doméstica. Apesar da Lei Maria da Penha, a violência doméstica ainda é um dos graves problemas que atingem a mulher.

O Mapa da Violência 2012, do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, informa que entre 1980 e 2010 foram assassinadas no país cerca de 92 mil mulheres, mais de 43 mil só na última década.

Elaine Cavalcante é juíza de Direito e atua no combate à onda cíclica da violência. Ela está na Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, na capital paulista. Muito atuante, ela coordena o projeto Dialogando para a Paz e integra a Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo (Comesp) ao lado das desembargadoras Angélica Almeida e Maria Tereza do Amaral e da juíza Maria Domitila Prado Manssur Domingos.

Quando se transformou em primeira juíza titular na 2ª Vara Criminal de Jundiaí, Elaine foi manchete de jornais. “Naquela época, uma mulher assumir um cargo de juíza titular era um fato novo e daí a curiosidade dos leitores”. Ela garante que nunca sofreu discriminação. “Hoje as mulheres conquistaram seu espaço na magistratura paulista, e pela primeira vez têm uma desembargadora na Comissão de Concurso de Ingresso à Carreira da Magistratura. Então, temos que comemorar essas vitórias”.

Cristiane Pereira é coordenadora do Centro de Referência de Apoio às Vítimas (Cravi), programa da Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania. O Cravi completa 15 anos de existência em julho e trabalha com vítimas diretas e indiretas da violência.

A advogada atua no Cravi desde 2011. Com mestrado em Filosofia do Direito pela PUC-SP, sempre atuou em projetos de inclusão social. “Atuar dentro de uma instituição como o Cravi é uma missão. Ajudamos as vítimas diretas e indiretas da violência. Infelizmente, 70% das pessoas que procuram o nosso atendimento são mulheres, no papel de mães ou esposas. Elas chegam aqui aos pedaços, clamando por Justiça.”

Juliana Felicidade Armede é coordenadora dos programas estaduais de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Combate ao Trabalho Escravo. “O Estado de São Paulo tem uma legislação pioneira no combate ao trabalho escravo e no enfrentamento ao tráfico de pessoas, mas existe um Brasil desconhecido, onde falta infraestrutura social e de Direitos Humanos. É nesse contexto que a sociedade deve atuar”. Juliana questiona também o papel da mulher na perpetuação da opressão.

Quebrando paradigmas

Cláudia Virgília conquistou uma vaga sonhada por muitos homens. Aos 41 anos, ela é subcomandante do 50º Batalhão de Polícia do Interior, sediado em Itu. Nascida em uma família de militares, a major Cláudia pertence à primeira turma de mulheres que ingressaram na Academia do Barro Branco. “Entramos em 1989. Éramos 12 garotas num universo de 160 homens”. A jornada árdua de estudos e treinamento não intimidou a oficial e as colegas. “Hoje, temos o orgulho de sermos chamadas de pioneiras”, recorda.

A oficial foi a primeira mulher a trabalhar na 2ª Companhia de Choque, na zona norte, e na Companhia de Força Tática. Formada em psicologia, é casada, tem um filho e ainda encontra tempo para atuar numa ONG que luta em defesa dos animais.

A voz tranquila e a figura aparentemente frágil escondem o verdadeiro perfil de Débora Santos de Oliveira. Quem a vê dificilmente imagina que ali está uma oficial do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Aos 31 anos, a primeiro-tenente PM comanda o 3º Grupamento de Bombeiros – Posto de Itaquera. Com histórico semelhante ao da major Cláudia (é filha do sargento PM Delcídio, bombeiro aposentado), Débora tem 60 profissionais sob suas ordens. “A sensibilidade da mulher é um dos fatores de sucesso em todas as profissões. Não é diferente no Corpo de Bombeiros”.


Histórias de mulheres de valor

Dividindo seu tempo entre as atividades profissionais e as responsabilidades de casa, elas buscam a realização (que muitos homens não conseguem)

A trajetória profissional da psicóloga Cândida Rocha Schwenck confunde-se com a evolução dos serviços prestados pelo Poupatempo. Em abril de abril de 1998, ingressou no serviço público estadual e passou por treinamento no posto Sé, o posto pioneiro do programa, inaugurado em outubro de 1997. E foi trabalhar, como assistente de atendimento, na agência Luz, desde a sua abertura.

Em 15 anos dedicados ao Poupatempo, a hoje executiva passou por várias funções: coordenadora geral (Agência Luz) e coordenadora de atendimento (Sé). Depois, gerenciou os postos de São Bernardo do Campo e de Itaquera. Atualmente comanda as unidades Sé (750 funcionários) e Luz (200 servidores), curiosamente, onde iniciou a carreira.

Cândida diz gostar de treinar e de comandar equipes, em especial, de trabalhar com pessoas de perfis diversificados – característica presente no trabalho do Poupatempo. Hoje, com 42 anos, casada, mãe de gêmeas, com duas especializações no currículo, ela tem uma vida dedicada à família, à formação acadêmica e, em especial, a aperfeiçoar o atendimento ao cidadão. Uma tarefa desafiadora e bem-sucedida, visto que, em 2012, pesquisas revelaram 95% de satisfação com o serviço do Poupatempo.


Quando Luciana Quintanilha entrou para os quadros da Polícia Civil, há 28 anos, o universo da instituição também era dominado por homens. “Eu cursava biologia na PUC Campinas e prestei concurso para a Polícia Civil para ajudar meu pai nas despesas com a universidade”. Há quase três décadas atua na área, hoje como perita criminal e especialista em documentoscopia. “É um universo fascinante no qual não existe rotina”. Entre macroscópios, ela é especialista em detectar documentos e dinheiro falsos. Fluente em inglês, já visitou diversos países e participou de inúmeros congressos (inclusive conheceu o Federal Reserve nos Estados Unidos). E trata de dividir suas conquistas: ensina documentoscopia e inglês na Acadepol.


Tudo nos trilhos

Em maio de 2012, Alexandra Leonello Granado assumiu a diretoria de assuntos corporativos do Metrô paulistano. Em 45 anos de existência da companhia, a administradora, antes advogada da empresa, foi a primeira mulher a assumir um cargo de diretoria no Metrô.

A executiva comenta que as áreas de transportes e de engenharia, trabalhos típicos do Metrô, tradicionalmente despertam maior interesse do maior público masculino – 70% do corpo funcional do Metrô ainda é formado por homens. Entretanto, o perfil do quadro vem se modificando. Ela própria é um exemplo: comanda 604 funcionários, divididos entre os setores jurídico, compras e contratações, infraestrutura, serviço interno e recursos humanos.

Com 41 anos, casada e mãe de dois meninos, Alexandra diz que sempre foi bem recebida pelos colegas homens e que essa junção – homens e mulheres –traz muitos benefícios para as empresas.

É grata ao marido, “que divide a educação das crianças comigo”, e como dica para quem ingressa no mercado de trabalho, sugere desprendimento.“Independente mente do sexo, concluir uma faculdade já não é suficiente. A preparação tem de ser constante, pois os espaços se abrem para quem se dedica com afinco”.


Café e simpatia

Ivanete da Silva Melo esbanja alegria pelas salas da Secretaria Estadual do Trabalho e Relações do Emprego (Sert). Copeira há dez anos, a sergipana de Estância cuida dos colegas com o mesmo carinho que dedica à família, principalmente aos dois netos. Bem falante, conta com orgulho sua nova conquista: “Vou utilizar a linha de crédito do Banco do Povo Paulista para reformar minha casa no Itaim Paulista”.

Para Ivanete não há mau tempo. “As mulheres não devem temer nada, a não ser a falta de vontade. Com fé em Deus, consegui criar meus quatro filhos, construí uma casa, trabalho onde gosto. Até dou entrevistas para TVs e jornais, pareço uma celebridade,” brinca.


Aposentadoria é uma palavra que não existe no dicionário de Maria Rosa Baraldi nem de Etelvina Moreira de Souza, ambas de 65 anos. Maria Rosa, há 18 anos, é analista sociocultural da Secretaria Estadual de Esportes e coordena o Espaço Salutaris, uma academia para os funcionários da pasta. “Viajamos pelo interior para dar cursos e conhecemos pessoas maravilhosas que mudaram suas vidas, a partir daí.”


Já a história de Etelvina Moreira de Souza confunde-se com a história da Universidade de São Paulo. “Meus pais eram portugueses e tinham uma pequena chácara, onde está localizado hoje o Hospital Universitário no campus da USP”.

Aos 16 anos, ela deixou o lugar e foi morar na zona leste. Depois, o destino se encarregou de levá-la de volta à USP. E, há 27 anos, é conhecida como a Dona Etelvinha, a zelosa funcionária da Faculdade de Saúde Pública, onde cuida do laboratório, serviço de zeladoria e ainda tem tempo para estudar. “Meu conselho para as mais jovens? Estudem. A vida é um aprendizado e cada segundo deve ser aproveitado”.


Mudando rumos

Elaine de Carvalho é testemunha da história. Funcionária do TJSP, ela atua como agente de fiscalização judiciária há 27 anos. “Além de prestarmos serviços de atendimento ao cidadão que procura o TJ, nós damos assistência no controle das salas durante os julgamentos”. Ela assistiu aos principais casos que tiveram grande clamor público como os julgamentos de Suzanne Von Richtofen, o de Lindenberg e dos Nardoni.

Tecnóloga em contabilidade, Elaine mudou radicalmente de profissão ao ver a oportunidade da estabilidade de um emprego numa carreira pública. “Para as mulheres, a área de segurança ainda representa alguns obstáculos, principalmente das pessoas que não pertencem ao setor. Geralmente, eles associam segurança com homens sarados em ternos escuros”. Elaine chefiou durante cinco anos o departamento de fiscalização judiciária do Fórum Criminal da Barra Funda. “Era como matar um leão por dia, mas valeu cada segundo”.


Aos 33 anos, Marinalva Cruz, supervisora do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (Padef), acredita na capacidade do ser humano em mudar sua própria história. “Independentemente das limitações, todos têm direito à educação e ao trabalho. Não é diferente aqui, quando lidamos com pessoas com deficiência”. Os resultados comprovam. De 1995 a 2012, 65 mil pessoas com deficiência procuraram o Padef. Mais de 12,7 mil conseguiram a tão almejada vaga de trabalho.

A supervisora do Padef, formada em Recursos Humanos, acredita que a real inserção das pessoas com deficiência, só ocorrerá com a mudança cultural e empresarial. “Temos pessoas deficientes com excelente qualificação acadêmica e profissional. Eles só precisam de oportunidade”.

Maria Lúcia Zanelli e Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente nas páginas I e IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 07/03/2013. (PDF)

Unesp, ensinando a fazer TV

TV Unesp tem nova programação; e uma das novidades é o Ciência sem Limites, que estreia nesta segunda-feira

Conhecida como a “Cidade sem limites”, Bauru está literalmente à frente dos outros 644 municípios paulistas em um quesito único. Não, não é por causa do tradicional sanduíche de rosbife com queijo derretido em banho-maria e picles de pepino, cujas variações recheiam cardápios de todo o Brasil, mas sim pelo fato de a cidade do Noroeste paulista abrigar a sede da TV Unesp, a emissora pública e educativa da Universidade Estadual Paulista, no ar desde 4 de novembro.

Com atrações para o público em geral, a Televisão Cultural e Educativa foi concebida sob o tripé do ensino, da pesquisa e da extensão, base estrutural da universidade pública brasileira. Tem como público-alvo três grupos distintos: a população de Bauru; os jovens, em busca de novas linguagens e de informação diferenciada; e a comunidade acadêmica.

A produção dos programas é dividida em jornalística e não jornalística (ver abaixo) e, até o final deste mês, cinco novas atrações serão incorporadas à grade. Uma das novidades é o Ciência sem Limites, programa que estreia nesta segunda (4), às 18 horas, e será reapresentado na quinta-feira (6), às 14 horas.

Como assistir

Durante os sete dias da semana, são veiculados programas acadêmicos, educacionais e culturais. A maioria é dirigida para todas as idades, sexos e perfis socioeconômicos. Abordam temas da atualidade, saúde, qualidade de vida, cultura, serviços, política, debates e entretenimento.

Em Bauru e região, a sintonia da emissora é feita pelo canal 45 UHF, de sinal aberto, ou pelo 32, da NET TV a Cabo. Em outros lugares é possível assistir à programação pelo site. A emissora tem como diferencial apresentar somente conteúdo produzido em alta definição, no formato High Definition (HD), com áudio e vídeo digital.

Na Web, a transmissão é feita por meio da tecnologia de streaming (envio sob demanda) e foi aprimorada internamente. Assim, além do tradicional televisor, é possível assistir on-line aos programas de alta-fidelidade em quaisquer plataformas, móveis (ou não), como notebook, tablet e celular de última geração (smartphone).

Investimento e parceiros

Ao longo de sua fundação, em 2008, a emissora recebeu investimento de R$ 15 milhões da Unesp em instalações, equipamentos e pessoal. Tem 48 funcionários concursados e contratados em regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) pela Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp).

A TV Unesp tem diversos parceiros. A lista inclui o Canal Futura (que retransmite algumas reportagens produzidas pela emissora) e mais a Prefeitura da cidade, o Sesi e o Sesc locais, a TV Cultura e o YouTube, entre outros. O acordo com o site de vídeos do Google garante à emissora um canal exclusivo na internet para armazenar seus programas.

Viés estratégico

Ana Sílvia Médola, professora de jornalismo e diretora da emissora, vê a televisão como o mais importante e popular meio de comunicação de massa do Brasil. Os motivos são o fato de estar em mais de 90% dos lares nacionais, reunir o País em rede, ter dimensão continental, unir a nação pela língua e ser janela permanente para retratar a vasta diversidade cultural regional brasileira.

Neste contexto, Ana Sílvia situa a TV Unesp como a mais nova e moderna emissora educativa brasileira. Além do jornalismo público diário, a instituição também se propõe a formar recursos humanos especializados e ampliar a pesquisa na área. E mais, estimular e potencializar ferramentas de inclusão social em massa, como o ensino a distância e a TV digital, tecnologias emergentes em todo o mundo.

A pesquisadora observa que, do ponto de vista técnico e estético, a televisão comercial brasileira é referência internacional. O reconhecido padrão de qualidade tornou o espectador brasileiro exigente, independente da qualidade do conteúdo exibido. Assim, para ela, é grande o desafio da TV universitária para recriar padrões equivalentes.

Cursos afins

Ela destaca que muitos dos cursos oferecidos pela Unesp em Bauru têm afinidade com as pesquisas e trabalhos ligados à emissora. Além de jornalismo, o campus também oferece radialismo, relações públicas, design, pedagogia, engenharia de produção, arquitetura e urbanismo, ciência da computação, ciências biológicas, educação física, física, matemática, psicologia, química, e sistemas da informação, entre outras opções.

“Formar profissionais para atuar em televisão é transferir conhecimento para a sociedade e também uma questão estratégica em tempos de globalização. Além de manter a identidade cultural brasileira, ao refletir e produzir conteúdos de temática nacional, este pessoal também atuará no meio acadêmico e na indústria cultural, criativa, de comunicações e do entretenimento”, conclui a professora.


Um jornalismo sem limites

No dia a dia da emissora (que não é nada convencional), são tratados assuntos ‘quentes’ e factuais; toda a produção é integrada entre as áreas e os profissionais

Ricardo Polettini, editor-chefe do jornalismo, conta que a proposta é cobrir assuntos relevantes para a sociedade, porém pouco explorados pelas redes comerciais. Não há tema proibido e os fatos são repercutidos, oportunamente, com pesquisadores da universidade e especialistas.

“No dia a dia, destacamos pautas ‘quentes’ e factuais como, por exemplo, crise na saúde pública, acidentes de trânsito envolvendo motos, aumento dos casos de dengue, etc. Mas também há espaço para ‘causos’ contados por violeiros, campeonato de xadrez escolar, passeio de Maria-Fumaça, novo uniforme do Esporte Clube Noroeste, descarte correto de óleo de cozinha. Enfim, não há limites para o jornalismo da TV Unesp”, analisa.

Do time de dez profissionais que comanda, Polettini comenta que seis concluíram mestrado na Unesp – e os demais cursaram especializações. Esta característica é comum na emissora e, na avaliação dele, o aprimoramento da carreira é um estímulo positivo que reforça o vínculo acadêmico da equipe da TV Educativa.

Estrutura enxuta

Diferentemente de uma emissora convencional, onde o trabalho é ‘departamentalizado’, na TV Unesp toda a produção é integrada e colaborativa entre as áreas e os profissionais. Um dos exemplos é o setor de multimídia. Nele, trabalham Fernando Geloneze, coordenador; Fábio Cardoso, programador, responsável pelo site; e a dupla Felipe Tristão e Leonardo Schimmelpfeng, produtores de ensino a distância.

O grupo faz trabalhos conjuntos para diversos órgãos da universidade, como o Núcleo de Educação a Distância (Nead), e também desenvolve aplicações em TV Digital. Da grade atual, dois programas foram adaptados à plataforma e aguardam liberação, por parte da Anatel, do sinal digital para serem veiculados.

Uma aposta nova do grupo é criar aplicativos (apps) para o ensino a distância em dispositivos móveis (celular e tablet). Este trabalho se soma a outros atuais, como classificar conteúdos publicados na internet, aprimorar o sistema de streaming e a manutenção do site da TV Unesp, que traz a programação completa e descrição de todos os programas.

Fernando e Fábio explicam que o site é a principal porta de entrada da emissora para a maioria dos espectadores – e o mais importante canal de comunicação do público. E dá ainda indicativos da audiência, considerando a impossibilidade de aferi-la. Além disso, é integrado às redes sociais (Facebook, Twitter e outras) e permite ao usuário interagir e comentar em tempo real sobre a programação.

Visão 360º

Thiago Areco, supervisor de operações, é quem faz o elo entre todos os setores da emissora com suporte do departamento técnico. Comanda operadores de áudio, de câmera, repórter cinematográfico, iluminador, diretor de TV, operador de central técnica. Especialista em transmissões televisivas, tem por missão manter o padrão Broadcast de captura e de exibição do material com qualidade em qualquer mídia, dentro de parâmetros especificados.

Jovem, como a maioria dos profissionais do canal universitário, Thiago estudou eletrônica no Colégio Técnico da Unesp, em Bauru. Depois trabalhou sete anos na área de engenharia de transmissão da maior emissora comercial do País. Ao longo de sua trajetória profissional, acompanhou a evolução dos trabalhos ligados ao universo da televisão, hoje totalmente integrado às novas tecnologias, como informática, design e telecomunicações.

Aos 32 anos, Thiago dedica-se em tempo integral à emissora que classifica como a “maior televisão universitária do Brasil em estrutura local, em mão de obra qualificada e a transmitir no formato Full HD no País”, diz orgulhoso. Ele conta que um dos segredos do visual da TV Unesp é o programa israelense Orad. No mundo, a emissora educativa paulista é uma das 30 que têm licença de uso do software, que permite criar cenários virtuais. Por meio desta tecnologia, a equipe de videografistas desenha e simula ambientes de estúdio para as atrações.

Cenários infinitos

Com sensores espalhados pelo estúdio, o Orad permite ao apresentador interagir com objetos reais ou fictícios, como um quadro ou monitor, e também se deslocar para ambientes virtuais diante das câmeras. “Mesmo tendo um único estúdio, esta ferramenta possibilita criar qualquer tipo de cenário para os programas. Um exemplo de aplicação é na previsão do tempo, informada pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPmet) da Unesp”, explica Thiago.

O Orad é também usado pela equipe de videografistas liderada por André Poles. Além de desenhar os cenários, o grupo responde por toda a identidade visual da emissora, cuja tarefa inclui produzir logotipos, infográficos, vinhetas, ilustrações e animações. “A proposta do trabalho é dar ‘cara’ à emissora, anunciar para o espectador a atração seguinte, entre todo o cuidado estético”, explica André.

Atrações multifacetadas

Programa infantil, de artes, de entretenimento, educativo, cultural, científico, de orientação profissional, de saúde… Esta é a proposta do Setor de Produção da TV Unesp. Com uma equipe de sete profissionais, quatro com mestrado na Unesp, o grupo formado por Renê Lopez, Juliana Ramos, Tathiana Saqueto, Licínia Iossi, Patrícia Basseto, Cláudia Paixão e Leandro Fortes se desdobra para produzir atrações diferentes (leia abaixo) na concepção e conteúdo.

Representando o grupo, o produtor Renê Lopez explica que nos programas a ideia é oferecer um conteúdo que seja “plural”, capaz de valorizar conceitos de cidadania e oferecer uma visão diferente, sempre voltada ao interesse público.

Não há restrição de assuntos e a música (e seus infinitos gêneros) tem destaque. Um dos objetivos é revelar novos talentos, com abordagem diferente da usada pela indústria fonográfica. Em busca de espaço, muitos artistas, ainda desconhecidos do grande público, entregam CDs na portaria da emissora e acabam conseguindo convite para se apresentar nos programas.


Programas jornalísticos

Unesp Notícias – Telejornal principal de 30 minutos. Vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 17h30, com reportagens de utilidade pública, cultura, emprego, saúde, política, economia e ciência.

Bauru AS – O jornalista Thárcio de Luccas entrevista lideranças locais ligadas a empresas e entidades sociais. Os convidados analisam temas diversos de suas áreas de atuação.

Diálogos – Apresentado pela jornalista Mayra Ferreira, aborda o universo das pesquisas.

Fórum – Comandado pelos jornalistas Thárcio de Luccas e Willian Poliveri, traz sempre especialistas para repercutir com o público, em debates interativos.

Unesp Informa – Boletins institucionais de um minuto (em média) veiculados ao longo da programação diária.

Vunesp Informa – Boletins de um minuto (em média) sobre concursos e vestibulares da Fundação para o Vestibular da Unesp (Vunesp).


Programação para todos os gostos

Artefato – Programa discute cultura, tecnologia, literatura, arte e entretenimento.

Ciência sem Limites – Atração inédita, estreia nesta segunda-feira (4), com apresentação do jornalista João Moretti. Vai mostrar e demonstrar pesquisas e pesquisadores da Unesp.

Cine Pódium – Atração interativa inovadora, em que o apaixonado por cinema ajuda a fazer a classificação de um ranking composto por cinco filmes com temas conhecidos e abordados no cinema.

Clipes TV Unesp – Uma grande vitrine para novos artistas. Sequência de videoclipes de bandas regionais e independentes – do pop ao rock, do reggae ao rap.

Curta Unesp – Canal de difusão de filmes e vídeos universitários e independentes produzidos no Brasil.

Enxamas – Programa mostra manifestações e eventos artísticos que permeiam as redes de cultura livres e independentes.

Giramundo – Atração infantil educativa informa sobre lugares do mundo para os pequeninos.

Guia de Profissões – Versão televisiva da revista com os cursos de graduação oferecidos pela Unesp e seus campos de atuação profissional.

Naturalmente – Produzido em parceria com o Sesi-Bauru, estimula, por meio de aulas práticas, a adoção de hábitos alimentares saudáveis.

Opção Saúde – Programa dá dicas sobre qualidade de vida, bem-estar e hábitos saudáveis.

Som e Prosa – Espaço para artistas, bandas e apresentações no estúdio da TV Unesp.

Televisionários – Programa resgata memória dos primeiros profissionais que trabalharam na televisão em Bauru.

Tradições do Interior – Trata da preservação da cultura do interior paulista.

Unesp Ciência – Versão televisiva da revista produzida pela assessoria de comunicação da Unesp.


Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente nas páginas I e IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 02/03/2013. (PDF)