USP Ribeirão Preto destaca o potencial da vinhaça na cogeração

Resíduo das usinas sucroalcooleiras pode ser usado para gerar eletricidade em projetos sustentáveis; crédito para investimento pode ser obtido na linha exclusiva do BNDES

Apresentar um modelo econômico, rentável e sustentável para as usinas sucroalcooleiras, de modo a incentivá-las a produzir eletricidade a partir de vinhaça, um resíduo poluente da produção do açúcar e do etanol, em vez de descarte do subproduto no meio ambiente. Esse é o tema da tese de mestrado do administrador de empresas Geraldo José Ferraresi, defendida no dia 11 de julho, no Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-RP/USP), câmpus de Ribeirão Preto.

Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o estudo acadêmico de Ferraresi foi orientado pela professora Sonia Valle Walter Borges de Oliveira. Iniciado no começo de 2015, o projeto teve como premissa averiguar por que a vinhaça não é reaproveitada, considerando o fato de a transformação do insumo vegetal em eletricidade ser um processo industrial conhecido pelas usinas. Essa técnica consiste em lançar o resíduo in natura para ter sua carga orgânica processada em reatores anaeróbios (biodigestores) para gerar biogás; esse biocombustível, por sua vez, é queimado e fornece energia elétrica.

Nos processos industriais das usinas, a produção de cada litro de álcool gera em média de 10 litros a 15 litros de vinhaça, também conhecida como vinhoto ou garapão. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a produção brasileira de etanol na safra 2015/2016 foi de 30,2 milhões de metros cúbicos. “Se todo o subproduto vinhaça fosse utilizado para gerar eletricidade, seria possível, por exemplo, atender à necessidade energética de uma cidade com 6,3 milhões de habitantes, como, por exemplo, o Rio de Janeiro”, destaca Ferraresi.

Revisão tributária

“No Brasil, há grande potencial para a cogeração com vinhaça, a principal barreira identificada em meu estudo são os juros altos e os impostos”, informa. Segundo ele, a tributação elevada sobre a cadeia produtiva da energia renovável é o principal entrave à falta de investimentos. “As alíquotas cobradas sobre as fontes não renováveis, como o diesel e o gás natural, são as mesmas incidentes sobre a biomassa e as energias solar e eólica”, diagnosticou Ferraresi.

No estudo desenvolvido na FEA-RP/USP para as usinas, a geração de energia se daria por meio de um biodigestor de circulação interna e de um motogerador de combustão interna de 38% de rendimento, “modelo baseado na literatura científica disponível que mostrou viável.” Segundo Ferraresi, a taxa de atratividade do projeto de investimento, que é a nota de corte utilizada para verificar o risco, é de 15%, com um prazo de 20 anos para a execução do projeto.

Negócios associados

“Sem isenção fiscal, é preciso incluir no projeto de cogeração a venda de créditos de carbono e de fertilizantes para este ser rentável. Caso contrário, também é necessário considerar políticas governamentais e isenções fiscais para assegurar a viabilidade, explica Ferraresi.” Eventuais interessados em saber mais a respeito do modelo desenvolvido em Ribeirão Preto devem entrar em contato com a FEA-RP/USP (ver serviço).

Como exemplo de aplicação do modelo, Ferraresi cita uma usina com capacidade produtiva diária de 1,5 mil metros cúbicos de etanol, cujo subproduto são 15 mil metros cúbicos diários de vinhaça. Para montar um sistema com biodigestores e um motogerador com rendimento de 28 megawatt-hora/ano, ele calcula que seria preciso um investimento de R$ 38 milhões.

“Essa planta industrial de cogeração seria capaz de suprir a necessidade energética de 62 mil pessoas”, explica Ferraresi. Ele informa que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dispõe de uma modalidade exclusiva de crédito para esse tipo de financiamento, chamada Linha BNDES Finem Geração de Energia (ver serviço). “É um dinheiro subsidiado, com condições mais atrativas em comparação às oferecidas pelo bancos”, explica.

Serviço

FEA-RP/USP
Telefone (16) 3961-1259
E-mail geraldoferraresi@usp.br

Linha BNDES Finem Geração de Energia

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página III do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 14/09/2017. (PDF)

Agência Desenvolve SP impulsiona negócios no setor sucroenergético

Linhas de financiamento propiciaram a construção da planta industrial da FibraResist, em Lençóis Paulista, e o investimento da Al Sukkar, de Ribeirão Preto, em novos produtos e a sua inserção no mercado

Criadas para fortalecer a inovação, estimular o surgimento de novos negócios e apoiar todos os setores da economia, as linhas de crédito da Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP) são as grandes aliadas de quem pretende empreender no futuro ou já está em operação e deseja expandir atividades e instalações. Dois exemplos recentes de empresas impulsionadas pelo financiamento público vêm da cadeia sucroenergética.

A indústria FibraResist, sediada em Lençóis Paulista, é o primeiro deles. A empresa foi pioneira ao fornecer massa celulósica, para a indústria papeleira, obtida a partir de tratamento exclusivo da palha da cana-de-açúcar – um dos resíduos da produção das usinas.

O segundo empreendimento atendido pela instituição vinculada ao Governo estadual foi a Al Sukkar, de Ribeirão Preto. Ela desenvolve e fornece antibióticos naturais – modelo alternativo, eficiente e sustentável – para a substituição de agroquímicos utilizados, por exemplo, em processos de fermentação do açúcar e na produção do etanol.

Ação social

De acordo com o gerente de negócios da agência paulista, Rafael Bergamaschi, os dois financiamentos foram solicitados no final de 2015 e as primeiras parcelas começaram a ser liberadas em abril do ano passado, após as etapas obrigatórias de análise da documentação e de verificação de pendências legais e financeiras.

“Esses empréstimos têm caráter social e visam a gerar emprego e renda nos 645 municípios paulistas. Por esse motivo, oferecem taxas de juros e prazos de carência e de pagamento mais atrativos em comparação aos vigentes no mercado”, sublinha Bergamaschi.

Atualmente, estão disponíveis 20 linhas de crédito para empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões. “Além da criação de tecnologias e construção de instalações, o dinheiro pode ser usado para adquirir estoques ou maquinários, bancar projeto na área ambiental ou projetos de exportação”, destaca o gerente.

Há também opções de financiamento para prefeituras paulistas. Nesses casos, o recurso pode ser aplicado em obras de infraestrutura, iluminação, redução de impactos ambientais, pavimentação, adequação e construção de distritos industriais e de centros agropecuários de distribuição e de abastecimento.

Facilidade

“A Desenvolve SP tem atualmente R$ 1 bilhão em caixa. Desde 2009, repassou mais de R$ 2,4 bilhões a 1,6 mil projetos de 270 cidades paulistas”, informa o gerente. Para facilitar ainda mais o acesso aos seus serviços, a agência lançou na primeira quinzena de junho a versão de seu site (ver serviço), que oferece interatividade total.

“Agora, para fazer a simulação de um empréstimo, basta informar no campo do formulário eletrônico o valor pretendido, o prazo total de pagamento em número de meses e o período de carência desejado, isto é, o prazo, também em meses, para começar a quitar a dívida”, comenta.

Outro destaque é o recém-criado crédito digital: financiamento de capital de giro com aprovação em até dois dias úteis e taxas a partir de 1,18% ao mês e três anos para pagar. “Se preferir, o interessado pode ir pessoalmente à sede da Desenvolve SP, na capital, para ser atendido”, explica o gerente (ver serviço).

Planta industrial

“O apoio da agência paulista foi fundamental para a construção da fábrica, cuja capacidade de operação foi dimensionada para atender ao crescimento nos próximos anos”, revela o representante da FibraResist, Mario Welber.

Segundo ele, o projeto de empresa, idealizado pelo químico industrial José Sivaldo de Souza, começou com o desenvolvimento de um biodispersante. Esse agente químico permitiu separar as fibras da palha da cana e a produção a frio da pasta celulósica, sem gases poluentes e em circuito fechado.

A empresa tem 51 funcionários trabalhando em três turnos e capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano. A produção é vendida para a indústria papeleira e para a fabricação de papel-cartão, papel-jornal, embalagens e papéis para a linha higiênica.

“Essa tecnologia é sustentável e abriu novo nicho para a palha da cana. Antes, uma das poucas opções rentáveis para a matéria-prima era queimá-la para gerar eletricidade, isto é, quando ela não era descartada indevidamente no meio ambiente”, analisa. “Agora, o próximo passo será aproveitá-la para produzir fórmica, tijolo e embalagens”, anuncia Welber.

Largada

Em 2010, depois de estudar e lecionar por muitos anos, a química pós-doutorada Eloísa Kronka incubou sua empresa de tecnologia (startup), a Al Sukkar, no Supera Parque Tecnológico de Ribeirão Preto – iniciativa conjunta do câmpus local da Universidade de São Paulo (USP), prefeitura e Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação.

A proposta, conta a empreendedora, foi aproveitar sua experiência laboratorial para criar, controlar e monitorar processos fermentativos industriais. O primeiro produto foi uma linha de antibióticos com plantas medicinais brasileiras.

Essa solução, ao contrário dos agrotóxicos comumente usados, é 25% mais barata, não deixa resíduos no solo nem na água e tem eficiência superior no combate às contaminações causadas por micro-organismos, fator de perda de produtividade em processos das usinas, como, por exemplo, na fermentação alcoólica.

Outro diferencial, indica Eloísa, é oferecer uma solução sob demanda para cada usina a partir da análise laboratorial. Os micro-organismos ativos nos processos variam de acordo com a região e pelo fato de a produção de etanol apresentar cerca de 9 a 15 tipos de bactérias diferentes.

“O aporte obtido na Desenvolve SP foi fundamental para investir na produção e inserir a Al Sukkar no mercado”, revela. “Hoje, além de mim, trabalham na empresa seis funcionários. Para prospectar clientes, cito como exemplo um dos mais antigos. Ele utilizou a nossa solução e obteve uma economia de R$ 2 milhões”, conta, orgulhosa.

Serviço

Desenvolve SP
Atendimento presencial ao empreendedor: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas
Rua da Consolação, 371 – Centro – São Paulo (SP)
Telefone (11) 3123-0464

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 30/06/2017. (PDF)

Desenvolve SP ultrapassa a marca de R$ 2,4 bilhões financiados

Direcionadas ao crescimento e à inovação, as linhas de financiamento da Agência de Desenvolvimento Paulista oferecem crédito em condições vantajosas para prefeituras e empresas de pequeno ou médio porte

Financiar o crescimento econômico com taxas de juros inferiores às cobradas pelo mercado e, assim, gerar emprego e renda no Estado. Desde 2009, este é o propósito da Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP), instituição financeira vinculada ao Governo estadual cujos repasses ultrapassaram em março, mês de seu aniversário, a marca de R$ 2,4 bilhões.

Disponíveis para prefeituras e empresas de pequeno e médio porte (com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões) e com pagamentos a longo prazo, as linhas de crédito e subsidiado possibilitaram a execução de mais de 1,6 mil projetos em 270 cidades paulistas.

Depois de oito anos de sua criação, a agência registra mais de 3,3 mil operações de crédito. Do total financiado, 81% foram destinados ao setor privado; e os 19% restantes, para o governamental. Atualmente com R$ 1 bilhão em caixa, a agência oferece 20 opções de financiamento para empresas e sete para a área pública.

A indústria paulista é a maior cliente, tendo recebido R$ 1,1 bilhão, seguida de comércio e serviços, com R$ 875,2 milhões. As prefeituras obtiveram R$ 457,5 milhões, valor usado em obras de infraestrutura, iluminação, redução de impactos ambientais, pavimentação e adequação e construção de distritos industriais e de centros agropecuários de distribuição e de abastecimento.

De acordo com o gerente de negócios da Desenvolve SP, Rafael Bergamaschi, a principal vantagem oferecida são as condições de pagamento mais atraentes em comparação com as vigentes nas instituições financeiras comerciais. “Não se trata de financiamento a fundo perdido, mas os juros cobrados são menores e os prazos de parcelamento e de carência são mais extensos”, comenta.

“Para conhecer, o usuário pode simular um empréstimo no site da agência. É gratuito e não exige cadastro. Basta informar o valor pretendido, o prazo total em número de meses e a carência, isto é, o período desejado, também em meses, para começar a quitar a dívida”, informa o gerente (ver serviço).

Opções

“Com preocupação social, esse crédito direcionado à inovação ou ao crescimento tem por finalidade fortalecer os negócios existentes e também estruturar novas empresas, viáveis e longevas”, pontua o gerente. Segundo ele, há opções de linhas para tecnologia e inovação; ampliação, modernização e expansão de instalações; aquisição de máquinas novas; capital de giro para comprar estoque e materiais; recursos para bancar projeto na área ambiental ou, ainda, para exportar.

Com vistas a facilitar a escolha da opção mais indicada à necessidade de cada empreendedor, o site da Desenvolve SP reúne vídeos e tutoriais explicativos. Além disso, o sistema de navegação é intuitivo e direciona, conforme vão sendo dados os cliques, para a alternativa mais recomendada. “Se preferir, o interessado pode solicitar também a orientação de um consultor ou ir pessoalmente à sede da agência, na capital, para ser atendido”, explica (ver serviço).

Para acelerar a liberação do dinheiro, é necessário estar com a documentação da empresa regular e não haver pendências legais e financeiras. A concessão de crédito da Desenvolve SP segue as regras do Banco Central do Brasil, cuja análise do pedido apresentado e do perfil do solicitante é criteriosa. “Nesse processo, são exigidos certidões negativas de débitos, demonstrativos contábeis e financeiros e informações pormenorizadas sobre o projeto a ser financiado”, informa Bergamaschi.

Saúde no interior

No dia 9 de maio, o Hospital da Unimed de Ribeirão Preto completa seu primeiro ano de operações. Financiado pela Desenvolve SP, o centro de saúde do interior recebeu R$ 34,4 milhões e permanece como uma das obras de maior valor bancada pela agência paulista. Segundo o gerente financeiro da instituição, Sidinei Facioli, o contato inicial foi realizado no final de 2011. “A princípio, fomos atraídos pela facilidade de acesso e pelas condições de pagamento. Contudo, a assertividade no atendimento acelerou as negociações”, relembra.

Em 26 de junho de 2012 foi formalizada a cédula de crédito bancário e, dois meses depois, houve a liberação do primeiro depósito para as obras – e conforme elas avançavam, o dinheiro ia sendo creditado. O hospital foi construído em um terreno de 20 mil metros quadrados às margens da Rodovia Ribeirão Preto–Bonfim Paulista.

Atualmente dispõe de serviços laboratoriais, diagnóstico por imagem, exames gráficos e reabilitação. Tem hoje, informa Facioli, 140 leitos construídos. Desses, 44 estão na seção de internação clínica, 14 no hospital-dia e 10 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os 72 quartos restantes entrarão em atividade até o fim do ano.

Sustentabilidade

“Nosso plano-diretor é auspicioso, pretendemos ser, até o final de 2022, um dos maiores e mais ‘ecológicos’ complexos de saúde privados da região”, revela Facioli, anunciando as próximas duas etapas de ampliação: “Na fase 2, pretendemos finalizar e pôr em operação a unidade de internação; e, na última fase, a 3, vamos entregar a sede administrativa e o prédio de consultórios (o centro médico)”, prevê.

Um dos trunfos do projeto, ressalta, é ter obtido o dinheiro na chamada Linha Economia Verde da Desenvolve SP, cujo financiamento cobre até 100% do valor dos itens pretendidos. Essa modalidade de crédito privilegia projetos sustentáveis, capazes de reduzir o consumo de energia, preservar recursos naturais e está alinhada com a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC), entre outros aspectos.

Nesse sentido, nas obras do hospital foi usado aço na construção para diminuir a utilização de água e a geração de resíduos; um conjunto de painéis solares aquece a água para poupar eletricidade – esse mesmo conceito é adotado na iluminação natural, para economizar energia elétrica; o piso externo do prédio capta e um sistema armazena a água da chuva para reúso; e os painéis de vidro proporcionam claridade, conforto térmico e também ajudam a evitar o desperdício de energia.

Serviço

Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP)
Atendimento presencial ao empreendedor, de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas.
Rua da Consolação, 371 – Centro – CEP 01301-000 – São Paulo (SP)
Telefone (11) 3123-0464

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 05/05/2017. (PDF)