Economizar água é simples e dá resultado

Programa de uso racional da água chega a mais 1,5 mil escolas; objetivo da Sabesp e da Educação é combater desperdícios

A Secretaria Estadual da Educação (SEE) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) vão estender para mais 1.523 escolas da rede de ensino público paulista as ações do Programa de Uso Racional da Água (Pura). A terceira fase do programa teve início no dia 10 e tem por metas reduzir desperdícios e poupar água.

Na terceira fase da iniciativa, o investimento é de R$ 62,8 milhões. Os recursos serão usados na adequação de equipamentos hidráulicos das escolas, na orientação de 1,5 milhão de alunos e no desconto de 25% na conta de água para a unidade escolar que reduzir seu consumo.

Nesta etapa, 1.093 das escolas ingressantes são da Região Metropolitana de São Paulo e 430 do interior e do litoral. Na primeira fase, o programa abrangeu 345 unidades e gerou economia anual de água de 610,9 mil metros cúbicos, valor equivalente a R$ 17,8 milhões. Na segunda fase, ainda em andamento, foram acrescentados mais 282 estabelecimentos de ensino, com poupança prevista de 216 mil metros cúbicos por ano, equivalente a R$ 13,9 milhões no período de um ano.

Hoje, o Brasil enfrenta dias secos e a média das temperaturas do verão de 2014 tem sido a mais alta desde 1943, de acordo com as medições do Instituto Nacional de Meteorologia. Por meio do Pura, a Educação pretende poupar R$ 53,7 milhões a cada ano e estender a atividade, com viés de educação ambiental, a cerca de 4,5 milhões de estudantes paulistas.

Troca de equipamentos

Para combater desperdícios, o programa investe na substituição de torneiras, vasos sanitários, bebedouros e dispositivos por onde a água passa. Essa medida também é progressivamente adotada em hospitais e penitenciárias, mas sem afetar a qualidade e a quantidade da água oferecida.

Nesta terceira fase, o objetivo é economizar 300,4 mil metros cúbicos de água (R$ 24,2 milhões) por ano, volume equivalente ao consumo anual de uma cidade com 7 mil habitantes. A expectativa é que o montante investido seja recuperado em cerca de dois anos e meio.

A substituição da rede hidráulica por aparelhos mais eficientes, como é o caso de hidrômetros com telemedição (que indicam quando o consumo de água sofre uma anormalidade), permite uma redução de 10% no consumo.


Tecnologia aliada ao Pura

O engenheiro Ricardo Chahin, gestor da Sabesp, conta que o Programa de Uso Racional da Água foi idealizado, em 1994, pelo diretor metropolitano da companhia, Paulo Yoshimoto. Segundo ele, desde sua criação, há duas décadas, a motivação do Pura continua a mesma: combater o desperdício e otimizar o uso da água, recurso natural renovável, porém finito.

Na época, a Sabesp atuou em parceria com a Escola Politécnica da USP e com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Unesp. O desafio conjunto foi buscar caminhos para diminuir a média de consumo residencial de água no Estado, que era de 20 metros cúbicos mensais por moradia.

Passadas duas décadas, o plano foi bem-sucedido – e a média de leitura dos hidrômetros caiu para 14 metros cúbicos mensais nas residências do Estado. As principais medidas adotadas focavam duas propostas: a primeira, usar a tecnologia para readequar equipamentos; e a segunda, investir de modo maciço em educação ambiental e uso racional do recurso por toda a sociedade.

Uma das ações tomadas foi no processo de normatização de itens hidrossanitários (torneira, lavatório, chuveiro) produzidos no País. Por integrar o colegiado que comanda a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), nos últimos 20 anos a Sabesp colaborou com os fabricantes, no sentido de orientá-los para aumentar a eficiência e a vida útil dos equipamentos.

Como exemplo, Chahin comenta que, no início do trabalho, uma válvula de descarga suportava no máximo 30 mil acionamentos. Hoje, chega a 50 mil operações. O prolongamento da vida útil dos aparelhos diminui as chances de vazamentos e as perdas de água. Antes, um vaso sanitário exigia 20 litros de água em cada ciclo; hoje consome, em média, seis litros.

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página I do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 12/02/2014. (PDF)

O encontro com o mar

Estudantes da rede pública de 32 cidades participam de programação especial de férias e encontram o mar pela primeira vez

Nesta semana, o Programa Turismo do Saber leva 1,3 mil crianças, de 9 a 11 anos, da rede pública de ensino de 32 municípios do interior, para 15 cidades do litoral paulista. Até amanhã (20), os jovens participarão de atividades na praia como aula de surfe, gincanas e também outras atrações de férias, como pescaria e visitas em parques, museus e locais históricos.

O Turismo do Saber é um Programa da Secretaria Estadual de Turismo realizado em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisa de Administração Municipal (Cepam), Secretaria da Educação e Secretaria de Logística e Transportes do Estado de São Paulo. Tem como proposta proporcionar à criança uma nova experiência de vida, por meio do turismo e atividades lúdicas.

Muitos estudantes participantes são de famílias carentes e têm na visita uma oportunidade para conhecer outras culturas, hábitos e ambientes. E também estreitar relacionamentos com colegas e monitores ao longo da viagem, além de aprender, a partir de informações sobre história, arquitetura, recursos naturais sociais, entre outras.

Praia e montanha

Nas férias de julho de 2011, o Turismo do Saber levou 840 alunos de escolas públicas do litoral para conhecer as montanhas do Vale do Paraíba. E agora, no verão, a iniciativa faz o caminho inverso e promove roteiros nas praias para estudantes do interior.

Ao todo são 32 delegações, cada uma composta por 20 meninos e 20 meninas. Cada grupo ficará quatro dias hospedado em alojamentos coletivos (em escolas públicas) de 15 municípios do litoral paulista. Algumas cidades anfitriãs, como Bertioga, vão receber duas comitivas, e outras, como São Vicente, receberão até três.

A iniciativa oferece ônibus com 45 lugares, alimentação, material pedagógico, camiseta de uniforme, pessoal capacitado pelo Estado e policiais para acompanhar as delegações. Durante a viagem, os estudantes são acompanhados por 128 monitores dos municípios visitantes e mais coordenadores municipais – e ambas as equipes trabalham em caráter voluntário.

O programa foi instituído pelo Decreto nº 57.039, de 3 de junho de 2011, em caráter permanente durante os meses de janeiro e julho. Substituiu o antigo programa Caravanas do Conhecimento – Interior na Praia e Redescobrindo o Interior. Os nomes foram alterados para Turismo do Saber – Interior na Praia e Litoral no Campo.

Visitantes e anfitriões

Neste mês, os visitantes são das cidades de Anhembi, Aparecida, Bofete, Botucatu, Caçapava, Cachoeira Paulista, Campos do Jordão, Conchas, Descalvado, Fernando Prestes, Ibirá, Ibitinga, Itatinga, Jambeiro, Lavrinhas, Lorena, Monteiro Lobato, Olímpia, Paraguaçu Paulista, Pardinho, Pedrinhas Paulista, Pindamonhangaba, Piquete, Porto Ferreira, Pratânia, Queluz, Redenção da Serra, São Bento do Sapucaí, São Carlos, São José dos Campos, São Luís do Paraitinga e Tabatinga.

Os municípios anfitriões são Bertioga, Cananeia, Caraguatatuba, Cubatão, Guarujá, Iguape, Ilha Comprida, Ilhabela, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, São Sebastião, São Vicente e Ubatuba.


Momento inesquecível

Na manhã de terça, 17 de janeiro, a praia de Itararé em São Vicente recebeu comitivas de Aparecida, São Bento do Sapucaí e Tabatinga. No total, 120 crianças uniformizadas, acompanhadas de monitores, professores e policiais, desembarcaram na orla em frente ao teleférico, atração inaugurada em 2002 que leva turistas ao topo do Morro do Vuturuá, para apreciar a vista e saltar de parapente.

Para a maioria dos visitantes, era a primeira vez que viam o mar. Tomados de emoção, quatro meninos mais afoitos saíram correndo em direção à água. Tão logo pisaram na areia, foram alertados pelos monitores sobre as instruções de segurança antes de entrar no mar.

Na sequência, os visitantes foram divididos em duas turmas para atividades. A maior, com dois terços das crianças, fez alongamentos e depois foi curtir as ondas pela primeira vez, com supervisão permanente e cercada por corda para prevenir afogamentos. A segunda recebeu noções básicas sobre surfe na areia e, em seguida, também sob monitoramento, tentou deslizar na superfície da água salgada com pranchas de bodyboard – esporte em que o praticante desce a onda deitado ou de joelhos em uma prancha.

Depois, os estudantes se revezaram nas atividades. E todos puderam participar da recreação na água, brincar na areia e fazer a aula de surfe. “A emoção de ver o mar pela primeira vez é inesquecível. Mas não imaginava que era tão grande”, disse Luana Gabriela, de dez anos, estudante de Aparecida. Já seu colega, Mateus Felipe, da mesma cidade, preferiu nem falar, segundo ele, para não perder nenhuma onda.

Para um grupo de São Bento de Sapucaí, melhor do que pular ondas só mesmo fazer buracos na areia. O quinteto formado por Daiana Oliveira, Michele Camargo, Mateus Nunes, Franciele dos Santos e Júlio Moraes em pouco tempo fez várias escavações e construiu seu primeiro castelo, decorado com conchas nas torres.

Entusiasmada com os moluscos, Daiana disse que pretende presentear seus pais com as conchas. “São lembrancinhas eternas da praia”, confidenciou com as mãos repletas de restos de moluscos.

Viagem longa

O ônibus que levou os visitantes de Tabatinga saiu às 7 horas da cidade na segunda-feira (16), e chegou às 15h30 em São Vicente. Segundo a professora Flor Lima Reis, monitora do grupo, a viagem de quase 400 quilômetros não diminuiu em nada a disposição das crianças em passear e aprender mais sobre o litoral paulista.

“Já conhecia São Vicente, mas é a primeira vez que acompanho estudantes. Está sendo um grande prazer e não houve nenhum problema na viagem e nem no alojamento coletivo”, conta satisfeita a professora Flor. A opinião dela foi endossada pelo PM Cláudio Lopes, também de Tabatinga, que acompanhou o grupo.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 19/01/2012. (PDF)

Estudantes do interior representarão o País em competição mundial de robótica

Escola Estadual Waldemar Salgado, de Santa Branca, participa do concurso pela segunda vez e chega à fase final na categoria programação

Um grupo de 15 alunos do ensino médio da Escola Estadual Waldemar Salgado, de Santa Branca, cidade do Vale do Paraíba, disputará em maio a fase final da VEX Robotics Competition, competição internacional de inovação em robótica. A equipe paulista representará o Brasil na competição e enfrentará concorrentes da China, Canadá, Estados Unidos, Israel, Índia e Coréia.

Tudo começou no final de 2007, quando Rodrigo Albuquerque, morador da cidade e engenheiro mecatrônico da Johnson & Johnson, decidiu formar uma equipe para concorrer. Ex-aluno da escola e cursando pós-graduação na FGV, credita parte de seu sucesso profissional aos três anos passados na EE Waldemar Salgado. Assim, consultou a diretora sobre o interesse em participar da competição, que não dá prêmios materiais, mas enriquece a formação educacional dos participantes.

Iraci Rodrigues, ex-professora de Rodrigo e diretora da escola, aceitou o desafio. O regulamento da competição determinava às equipes criar, a partir do mesmo kit de montagem, um robô comandado por controle remoto. O passo seguinte era fazer com que o invento executasse tarefas específicas sem interferência humana, como carregar e arremessar uma bola pesando cinco quilos ou coletar e empilhar blocos de espuma.

Parcerias

Na Waldemar Salgado, o convite trouxe euforia e ansiedade. Todos os 600 alunos das três séries do ensino médio se inscreveram para participar da seletiva interna e integrar o time, batizado pelos alunos de White Hurricane. Os 20 contemplados passaram a ter aulas especiais com os professores da escola. E o serviço foi complementado por Rodrigo e outros engenheiros amigos dele, em tópicos extracurriculares de matemática, lógica de programação, física, eletrônica e mecânica.

Morando em Santa Branca, trabalhando em São José dos Campos e estudando na capital, Rodrigo dedicou noites e finais de semanas ininterruptos ao projeto voluntário. A princípio, a proposta era melhorar a formação dos estudantes da única escola pública estadual da cidade. E concorrer na fase nacional da competição de robótica.

O kit de montagem do primeiro robô custou US$ 8 mil e foi comprado pelos patrocinadores da White Hurricane, as empresas BS Automação e Johnson & Johnson. O grupo teve também apoio da Secretaria Estadual da Educação (SEE), Rotary Club de Santa Branca e das empresas G6Design, Choppi, Agrara, Wirex Cable e Metalox.

Patinho feio

A White Hurricane conseguiu inesperado primeiro lugar no País, colocação que a credenciou a representar o Brasil na fase internacional da First Robotics Competition, em Atlanta, nos Estados Unidos, no mês de abril. O saldo final da viagem aos EUA foi o 89º lugar na categoria Finalista Mundial, de um total de 400 equipes, posição inédita para uma escola brasileira.

O feito motivou nova inscrição. Desta vez para a VEX Robotics Competition, cuja fase nacional foi disputada em Guarulhos, no dia 29 de novembro. Para concorrer, uma nova formação da White Hurricane foi constituída em setembro na EE Waldemar Salgado. Os ingressantes receberam orientação de Wellinghton Mariano e Marcus Pereira, remanescentes da primeira edição.

Curiosamente, alguns dos alunos reprovados na seletiva ofereceram-se para integrar a White Hurricane como voluntários. Assim, a composição atual é de dez meninos e cinco meninas. As tarefas são divididas em quatro áreas: mecânica, eletrônica, programação e controle.

Desta vez a White Hurricane participou da seletiva nacional na categoria Habilidade de Programação e enfrentou 26 times: 25 de colégios técnicos e particulares e um de uma escola municipal de Porto Alegre (RS). O resultado foi o primeiro lugar na etapa Brasil. Em maio, o grupo disputará a finalíssima internacional em Dallas, nos Estados Unidos.

Repercussão

A diretora Iraci Rodrigues destaca a experiência adquirida nas competições internacionais. Para ela, melhorou a disciplina e o aproveitamento escolar de todos os estudantes da EE Waldemar Salgado. A professora também sublima o maior interesse de grande parte dos alunos pelas ciências exatas e a decisão de muitos de seguir carreira acadêmica na área.

“Ao trazer para o ambiente escolar conceitos do mundo empresarial, Rodrigo ajudou a complementar a formação dos alunos. Esta experiência reforça valores universais, como o trabalho em equipe, a união e o respeito ao próximo. E também questões ligadas ao mercado, como a busca por diferenciais competitivos, cumprir metas e prazos e adotar práticas eficientes de governança”, comemora Iraci.

Cristina Pereira, mãe de Marcus, é uma das mais entusiasmadas com as atividades direcionadas à área de robótica. Ela e familiares de outros alunos promoveram rifas de bolos e pizzas para arrecadar dinheiro para a primeira viagem aos Estados Unidos.

“Marcus integrou as duas formações da White Hurricane e já escolheu sua profissão: quer ser engenheiro. Nosso próximo desafio será conseguir, até 15 de fevereiro, os R$ 40 mil necessários para levar em maio a delegação de Santa Branca para Dallas (EUA)”, conta esperançosa.

Novos talentos

Jéssica de Matos, estudante do primeiro ano do ensino médio, ingressou na segunda formação da White Hurricane. Apaixonada por videogames e informática, conta ter pedido para entrar no time já na primeira semana de aula. Para ela, “integrar uma equipe tão unida e maravilhosa excedeu todas as expectativas”, festeja.

Para Rodrigo Albuquerque, o idealizador e realizador do projeto, a proposta inicial era somente prestar serviço voluntário. Aos 29 anos revela ter aprendido muito mais com os meninos do que ensinado. Confessa surpreender-se todos os dias com a disposição dos estudantes em progredir. Muitos são carentes e vivem na zona rural de Santa Branca.

“Nesta iniciativa, venho aprendendo a liderar equipes e acho que ajudo a formar novos talentos. Mas, para mim, o mais importante foi ter feito novas amizades”, conta.

Anderson Moriel Mattos e Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 24/12/2008. (PDF)