Núcleo Itutinga-Pilões é opção de passeio gratuito no litoral

Roteiros pelo Parque Estadual da Serra do Mar fortalecem a educação ambiental com dezenas de trilhas e observação de espécies nativas em trechos preservados de mata atlântica

Sediado em Cubatão, o Itutinga-Pilões é um dos dez núcleos do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) administrados pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente. A área verde preservada é um dos maiores trechos remanescentes de mata atlântica, um dos cinco biomas mais ameaçados no mundo e também um corredor biológico fundamental para a preservação da biodiversidade local, composta por 1,4 mil espécies de animais e 20 mil de vegetais.

O PESM parte da faixa litorânea do Estado do Rio de Janeiro, adentra o território de 25 municípios paulistas e vai até o Paraná. Tem 332 mil hectares de extensão e, desses, 43,8 mil integram o Núcleo Itutinga-Pilões. Os demais trechos, cada um com características próprias de interação social e preservação da flora e da fauna, dividem-se entre os núcleos Bertioga, Caraguatatuba, Cunha, Curucutu, Itariru, Padre Dória, Picinguaba, Santa Virgínia e São Sebastião.

Água de beber

Com origem no tupi-guarani, a palavra Itutinga-Pilões significa portal da água branca rumorejante, referência às diversas cascatas, piscinas naturais e aos rios Passareúva, Pilões e Cubatão presentes no ecossistema. Essas fontes hídricas fornecem 80% da água consumida na Baixada Santista e abastecem também mananciais da Represa Billings, localizada no entorno da capital.

Além de Cubatão, o Núcleo Itutinga-Pilões se estende pelos municípios de Mogi das Cruzes, Praia Grande, Santos, Santo André, São Bernardo do Campo, São Paulo e São Vicente. O complexo abriga, na encosta da Serra do Mar, a Usina Hidrelétrica Henry Borden e o trecho inicial da Rodovia Caminhos do Mar (SP-148).

De traçado sinuoso, a via foi a primeira interligação do litoral com a capital. Ao longo de seus 9,2 quilômetros, a rodovia mantém preservados diversos monumentos históricos, como o Pouso Paranapiacaba, o Belvedere Circular, o Rancho da Maioridade e a Calçada do Lorena.

Grátis e agendado

A advogada Patrícia Rodrigues, gestora do Núcleo Itutinga-Pilões, explica que a ida ao parque é gratuita e realizada mediante agendamento prévio por telefone ou e-mail, com no mínimo uma semana de antecedência (ver serviço).

Distante 60 quilômetros da capital, a visita pode ser feita de terça a sexta-feira, das 9 às 17 horas e, aos sábados, das 9 ao meio-dia. São aceitos grupos com até 40 pessoas e o público mais frequente são excursões de professores e alunos de escolas da rede pública e particular. “Muitos passeios terminam com as crianças plantando mudas de espécies nativas”, revela Patrícia.

Durante toda a estadia no núcleo, a equipe de monitores ambientais da Fundação Florestal acompanha os turistas. “Esses profissionais contam a história do local e atuam como educadores ambientais, destacando a importância da conservação dos recursos naturais e culturais brasileiros”, explica Patrícia.

Atrações ilimitadas

Em todos os roteiros do Núcleo Itutinga-Pilões, o visitante deve passar protetor solar e repelente contra insetos. São recomendadas também roupas leves, boné e calçados fechados para fazer caminhadas. A câmera fotográfica é fundamental para registrar as belezas infinitas do PESM, cujo visual mistura floresta com ar puro de montanha e atrai muitos observadores de aves e praticantes de esportes radicais (rafting, mountain bike, rapel), entre outros tipos de turistas.

Na sede, o público pode conhecer o Centro de Visitantes e a Oca do Curumim, atração infantil. Na sequência, visitar as ruínas da Vila Itutinga (hospital, cadeia velha, fábrica de doces e o casarão da vila), antiga morada de trabalhadores da Usina Hidrelétrica de Itutinga. O próximo passeio são as trilhas do Rio Pilões (1,2 km, dificuldade baixa), da Usina (9 km, dificuldade alta), do Rio Passareúva (3 km, dificuldade média), do Lambari (1,7 km, dificuldade baixa), da Ferradura (1,5 km, dificuldade baixa) e do Laranjal (2 km, dificuldade média).

Na região da Vila de Paranapiacaba, ramal ferroviário construído pelo ingleses no alto da serra, próxima do município de Santo André, todas as trilhas têm dificuldade de nível médio: Vale do Rio Mogi (13 km), Cachoeira Escondida (4 km), Cachoeira da Fumaça (6 km) e Poço Formoso (4 km).


Desenvolvimento sustentável

O tecnólogo ambiental Nilton Peres divide as tarefas do Núcleo Itutinga-Pilões com Patrícia. Morador de Peruíbe e há oito anos no núcleo, ele é responsável pelo atendimento a cientistas interessados em pesquisar as milhares de espécies do PESM, cuja lista inclui várias ameaçadas de extinção, incluindo orquídeas raras e mamíferos como a onça-pintada e macacos mono-carvoeiro e bugio, entre outras.

“O maior felino das Américas tem hábitos noturnos e costuma evitar o contato com os humanos”, revela. “Entretanto, tive o privilégio de avistá-la pessoalmente muitas vezes, sem dizer os registros fotográficos feitos com as ‘traps cameras’ – máquinas fotográficas camufladas escondidas na mata para estudar a vida animal”, informa.

Nilton aposta na educação ambiental e no uso sustentável como caminhos para a preservação do PESM. Como exemplo, cita o trabalho constante de vigilância para combater a caça e a pesca ilegais, que dizimam as espécies polinizadoras e dispersoras de sementes, fundamentais para a perpetuação da vida no parque.

Apaixonado pelo parque, ele sugere no PESM a extração racional dos recursos da floresta nos mesmos moldes do extrativismo realizado na região norte com o açaí. “Diferentemente do corte da palmeira juçara para retirada do palmito, que mata a árvore, a coleta de seus frutos pode ser feita ao longo de toda a vida da espécie”, explicou. “Evita-se, assim, o desmatamento; e essa matéria-prima da floresta é ótima para produzir biscoitos, pão e farinhas”, ensina.

Serviço

Fundação Florestal
Parque Estadual da Serra do Mar (PESM)
Núcleo Itutinga-Pilões (agendamento de visitas)
Estrada Elias Zarzur, km 8, s/nº – Água Fria – Cubatão (SP)
E-mail pesm.itutinga@fflorestal.sp.gov.br
Telefone (13) 3361-8250

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 24/02/2016. (PDF)

Caminhos do Mar é a atração mais concorrida do Roda SP

Passeio integra três rotas do programa da Secretaria Estadual de Turismo; temporada de viagens intermunicipais no litoral prossegue até o dia 28 em nove cidades da Baixada Santista

Sabe aquela antiga e inesquecível canção de Roberto Carlos, que fala das curvas da estrada de Santos? Ora, conhecer os Caminhos do Mar, fonte de inspiração da música, é muito fácil e barato. Basta seguir para o litoral sul paulista e embarcar com conforto nos ônibus turísticos com ar-condicionado do programa Roda SP.

Criado em julho de 2011, o Roda SP, iniciativa de viagens sazonais da Secretaria Estadual de Turismo, prossegue sua temporada no litoral até o dia 28 com 20 rotas intermunicipais na Baixada Santista (ver serviço). Neste verão, o programa oferece 16 ônibus e 12 vans, com roteiros repletos de atrações culturais, históricas, gastronômicas e de entretenimento. A descrição completa de roteiros, com horários e atrações, está disponível para consulta no site do Roda SP (ver serviço).

Com 18,4 quilômetros de extensão, considerando a ida e a volta, o Caminhos do Mar é o passeio mais procurado do Roda SP. Faz parte dos roteiros 4, 12 e 15 do programa, a atração ecoturística tem em média quatro horas de duração e inclui visitas a monumentos históricos e trechos remanescentes de mata atlântica, além de abrigar nascentes de rios, cachoeiras e 1,4 mil espécies de animais e 20 mil tipos de plantas.

A recomendação ao visitante é usar roupas leves e confortáveis, passar protetor solar e levar câmera fotográfica, para registrar as deslumbrantes paisagens. E não deixar de apreciar locais como o Pouso Paranapiacaba, palavra que em tupi significa ‘local de onde se vê o mar’ e o mirante do Belvedere Circular, ponto de encontro da Calçada do Lorena, outro monumento histórico.

No formato city tour, o Roda SP tem guia de turismo acompanhando grupos fechados de passageiros em todos os itinerários. As saídas são de terça-feira a domingo, nas cidades de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Praia Grande, Peruíbe, Mongaguá, Santos e São Vicente. A passagem custa R$ 10, dá direito a viajar o dia inteiro (ida e volta). Pode ser adquirida no site do programa, ou nos nove postos de venda das cidades com roteiros ou ainda com o guia de turismo de cada ônibus (ver serviço).

História e educação ambiental

Na terça-feira, 16, na Estação das Artes, em Cubatão, era grande a expectativa de um grupo de moradores da cidade. Nenhum passageiro do ônibus conhecia os Caminhos do Mar – e era grande a ansiedade para visitar monumentos como a Calçada do Lorena. Inaugurada em 1792, foi o primeiro caminho pavimentado com pedras a ligar o litoral à capital. Muitos anos depois, na década de 1920, a rodovia foi a primeira a ser pavimentada com concreto na América Latina.

A guia de turismo Claudineide Soares, integrante do Roda SP desde 2015, passou informações sobre história e preservação em suas exposições dentro do ônibus e nas paradas. Ao longo de todo o passeio, a tarefa foi complementada pelas monitoras ambientais Thaís Lima, Cristiane Camilo e Edmila Duarte, todas da Fundação Florestal, órgão ligado ao Governo paulista e responsável pelo Parque Estadual da Serra do Mar, que abriga os Caminhos do Mar.

As vizinhas Lúcia Nunes e Cláudia Assis, ambas donas de casa e moradoras da Vila Santa Rosa, em Cubatão, compraram pela internet as passagens. A primeira, levou como acompanhante a filha Lígia; já sua amiga e idealizadora do passeio embarcou com o pai, Namir, e as filhas, Letícia e Yana.

“Conheci o Roda SP no ano passado e adorei conhecer a Ilha Porchat e o Teleférico em São Vicente. Na próxima semana, já temos bilhetes para Bertioga e Itanhaém”, revelou Cláudia, na escadaria da Casa dos Visitantes. A instalação de 1926 é a primeira parada do passeio e serviu de abrigo para os engenheiros que construíram a Usina Hidrelétrica Henry Borden.

Na parada seguinte, a família Valadares, também de Cubatão, se esbaldou no Rancho da Maioridade, construção alusiva ao primeiro centenário da Independência do Brasil. Decorada com azulejos portugueses pintados à mão, a casa abriga bicas com água potável e servia de local de reabastecimento dos radiadores dos primeiros automóveis, carentes de pontos de parada para conseguirem chegar até o topo da montanha.

As irmãs Elisabete, assistente de recursos humanos, e Érika, auxiliar de laboratório, se dedicaram a fazer um programa com parte da família. Embarcaram com primos, pais e sobrinhos. “O lugar é maravilhoso, adoramos o Pouso Paranapiacaba e o mirante do Belvedere Circular”, revelaram depois de tirarem selfies com os Valadares, tendo a Serra do Mar como cenário de fundo.


Os 20 roteiros do Roda SP 2016

  1. Peruíbe – São Vicente – Santos
  2. Peruíbe – Praia Grande – Mongaguá – Itanhaém
  3. Itanhaém – Santos – São Vicente
  4. Itanhaém – Mongaguá Praia Grande – Cubatão
  5. Mongaguá – Guarujá
  6. Mongaguá – Cubatão – Santos – São Vicente
  7. Praia Grande – Mongaguá – Peruíbe – Itanhaém
  8. Praia Grande – Bertioga – Guarujá
  9. Praia Grande – São Vicente – Santos
  10. São Vicente – Bertioga – Guarujá
  11. São Vicente – Peruíbe – Itanhaém
  12. Santos – São Vicente – Praia Grande – Cubatão
  13. Santos – Guarujá – Bertioga
  14. Santos – Itanhaém – Peruíbe
  15. Guarujá – Cubatão – Santos – Cubatão
  16. Guarujá – Bertioga
  17. Bertioga – Guarujá
  18. Bertioga – São Vicente – Santos
  19. Cubatão – Guarujá – Bertioga
  20. Cubatão – Mongaguá – Itanhaém

Serviço

Roda SP (informações, roteiros e ingressos)
E-mail contato@rodasp.com
Telefone 0300 745 0000

Parque Estadual da Serra do Mar

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página III do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 18/02/2016. (PDF)

Programa recupera matas ciliares

Com foco na consciência ecológica, ação integra pacote de 21 projetos estratégicos da Secretaria do Meio Ambiente e tem como objetivo reflorestar, com vegetação nativa, 6 mil quilômetros de cursos d’água no Estado de São Paulo

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente trabalha de maneira multidisciplinar em 21 projetos considerados estratégicos, envolvendo municípios, órgãos públicos, instituições ambientalistas e a iniciativa privada. O objetivo é preservar as águas e o ar, acelerar o processo de licenciamento ambiental, combater o desmatamento e promover a educação ambiental, entre outros.

Um exemplo é o Programa Nascentes em Prol do Meio Ambiente. Executada diretamente pela secretaria, a ação é a maior do gênero lançada pelo Poder Público para manter e recuperar olhos-d’água e matas ciliares. Localizada na margem dos rios, córregos, lagos e represas, a mata ciliar é um tipo de vegetação que faz a interação entre sistemas aquáticos e terrestres.

Na mata ciliar, as raízes das plantas ajudam a evitar a erosão e enchentes, impedem a chegada de poluição difusa aos cursos d’água e são importantes para preservar recursos hídricos e a biodiversidade.

Esforço

O Programa Nascentes abrange 6 mil quilômetros de cursos d’água no território paulista, mobilizando proprietários rurais, prefeituras, sindicatos, ONGs, secretarias de Estado, associações e cooperativas. As ações abrangem as bacias hidrográficas do Alto Tietê, Paraíba do Sul e o sistema Piracicaba/Capivari/Jundiaí (Bacia PCJ), áreas onde se concentra uma população superior a 30 milhões de habitantes.

A meta do programa é recuperar 4.464 hectares de matas ciliares, área equivalente a 5,4 mil campos de futebol. Para isso, serão utilizados 6,3 milhões de mudas de espécies nativas. O primeiro plantio foi realizado em março, no município de Piracaia, na Bacia PCJ, que atende o Sistema Cantareira. A operação prossegue em mais 10,2 hectares do entorno dos cursos d’água de áreas ciliares de seis propriedades rurais, próximas da Represa da Cachoeira.

Replantios

A segunda etapa do projeto começou em abril, no município de Jacareí, e segue reflorestando 371 hectares de matas ciliares na bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. No total, serão plantadas 619 mil mudas de 80 espécies nativas da mata atlântica em dez áreas localizadas no reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, pertencente à Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

A lista de espécies nativas de mata atlântica a serem utilizadas nos replantios inclui aroreira-pimenteira, sangra-d’água, pau-cigarra, tamboril, ingá, paineira-rosa, copaíba, canafístula, jatobá, tapiá, cedro-rosa, araucária, açoita-cavalo, eritrina, embaúba e figueira.

Iniciada em junho, a terceira etapa prossegue com a frente de trabalho organizada na cidade de Joanópolis. Vem sendo executada em três propriedades particulares, totalizando dez hectares na Bacia PCJ, trecho prioritário para o programa, por fornecer grande volume de água para o abastecimento público.

Reconhecimento

Pessoa física ou pessoa jurídica participante do Programa Nascentes em Áreas de Proteção Permanente (APP) recebe certificado de participação da secretaria. Na mesma linha, o Selo Nascentes será entregue pela pasta às empresas que, voluntariamente, desenvolvam proposta de restauração no âmbito do programa e também àquelas que a executem em área superior à imposta em sede administrativa ou judicial, em cumprimento à obrigação legal.

Serviço

Nascentes em Prol do Meio Ambiente (site).
Demais programas da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página II do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 12/08/2015. (PDF)