Projeto da Etec Santo André evita acidentes domésticos com gás

Com pedido de patente depositado, criação de antigos alunos de Eletrônica da unidade busca investidor para se associar ao grupo e fabricar o Detect3 em escala industrial

A cada ano, os vazamentos de gás provocam inúmeras mortes, deixam centenas de feridos e causam prejuízos aos patrimônios público e privado no Brasil. Para prevenir esse tipo de acidente, um grupo de antigos alunos do curso de Eletrônica da Escola Técnica Estadual (Etec) Júlio de Mesquita, de Santo André, desenvolveu o sistema Detect3 – Detecção e prevenção contra explosão por vazamento em três etapas.

Trata-se de um equipamento autônomo dotado de sensores capazes de identificar vazamentos em uma casa ou apartamento e, de modo automático, bloquear o fornecimento de gás e de energia elétrica, desligando a chave geral da residência. “Muitos acidentes ocorrem quando o morador sente o cheiro de gás e acende a luz, causando a faísca capaz de detoná-lo”, explica o quarteto formado por Edmar dos Santos, Leandro Luna, Marcelo Oliveira e Paulo Gimenes.

Tema do trabalho de conclusão de curso (TCC) dos antigos alunos, a construção do equipamento exigiu o desenvolvimento de três protótipos para incorporar, sucessivamente, melhorias ao projeto. A orientação da pesquisa foi do professor Renato Koganezawa, do Departamento de Elétrica da Etec. Em fevereiro, o Detect3 teve pedido de depósito de patente, visando a proteger a propriedade intelectual do conjunto da tecnologia incorporada ao sistema e mais o sistema de bloqueio do fornecimento de gás.

Funcionamento

O Detect3 é bivolt (110V-220V), funciona ligado em uma tomada e deve ser instalado próximo ao ponto de fornecimento de gás da residência (de botijão ou encanado). Em eventual falta de energia elétrica, o gás pode ser acionado manualmente pelo morador por meio de uma válvula e, assim, acender o fogo com um palito de fósforos.

Quando o sensor do Detect3 identifica a presença de gás natural ou de gás liquefeito de petróleo (GLP) no ambiente, entra em estado de alerta. Instantaneamente, o sistema misto de software e hardware dispara alerta sonoro intermitente, e, por radiofrequência, aciona o bloqueio do fornecimento do gás (combustível) e de eletricidade.

“O equipamento é projetado para proteger área de 25 metros quadrados. Entretanto, é flexível e permite a instalação de inúmeros pontos adicionais para detecção de gás em outros cômodos da casa”, explicam os criadores.

Desafios

“Eles foram muito além do conteúdo programático transmitido no curso”, revelou o professor Koganezawa, também engenheiro eletricista e servidor da Universidade Federal do ABC. O grupo de idealizadores do Detect3 segue estruturando um plano de negócios para o projeto na Inova Santo André, incubadora de empresas da prefeitura local.

O docente conta ter sugerido algumas saídas possíveis para as dificuldades surgidas ao longo da criação do Detect3, entretanto, deixou com o grupo as tarefas de pesquisar e identificar as soluções mais eficazes e viáveis. “O mérito do trabalho é deles”, revelou.

A lista de desafios incluiu projetar a parte elétrica, programar (em linguagem C, uma das mais populares) a placa integrada do circuito, transformar a radiofrequência usada no sistema e a instalação do sistema de corte do fornecimento de gás e de luz. “Hoje, temos duas opções possíveis: achar um sócio para a empresa disposto a investir cerca de R$ 400 mil e fabricar conosco o Detect3”, planejam os idealizadores.

Outra possibilidade cogitada é repassar as tecnologias incorporadas ao Detect3 para fabricantes de fogões. A ideia é adaptar a parte do dispositivo responsável pelo corte de gás no eletrodoméstico – e passar a incluí-lo na linha de montagem, como item adicional de segurança.

Finalista

O Detect3, criado na Etec Santo André, é um dos 15 projetos finalistas do 3º Desafio Inova Paula Souza de Ideias e Negócios. Em 2014, o Capacete High Tec, outro trabalho acadêmico orientado pelo professor Koganezawa, foi o vencedor e, no ano passado, mais um TCC supervisionado por ele ficou no grupo de finalistas.

Neste ano, o concurso do centro paulista de ensino tecnológico recebeu 3 mil trabalhos e a relação de classificados está disponível para consulta no site do Centro Paula Souza (ver serviço). A premiação visa a estimular o espírito empreendedor e destacar pesquisas realizadas nas Etecs e Faculdades Estaduais de Tecnologia (Fatecs) com potencial para originar pro dutos e serviços.

A avaliação dos trabalhos é feita por um júri composto por profissionais e empresários de diferentes áreas. O anúncio dos campeões ocorrerá no dia 24, às 9 horas, em solenidade no Centro de Capacitação do Centro Paula Souza, localizado na Rua General Couto de Magalhães, 145, Santa Ifigênia, região central da capital.

Serviço

Etec Júlio de Mesquita (Santo André)
E-mail faleconosco@etecjuliodemesquita.com.br
Telefone (11) 4990-2577

Os 15 projetos finalistas do 3º Desafio Inova Paula Souza podem ser visualizados em http://goo.gl/gH30B0 e o vídeo com a apresentação do Detect3 em https://goo.gl/pGEkCt.

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página I do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 18/05/2016. (PDF)

Cadeira veicular inteligente alia segurança e inovação

Alunos da Fatec Santo André criaram sistema que reduz riscos de acidentes com crianças esquecidas no interior de veículos

“A vida não tem preço.” Esse foi o lema que o grupo de alunos do curso de Eletrônica Automotiva da Faculdade de Tecnologia Estadual (Fatec) de Santo André adotou para desenvolver um sistema visando à prevenção de acidentes com crianças esquecidas dentro de veículos. De baixo custo, o dispositivo funciona acoplado à cadeira veicular, equipamento de segurança obrigatório para transportar crianças.

Batizado como Cadeira Infantil Veicular Inteligente (Civi), o projeto é o trabalho de conclusão de curso (TCC) dos universitários Renato Santos, Dernivaldo Lima e Geovanni Francisco – e foi defendido e aprovado no fim do ano passado. A segurança e a eficiência do equipamento, desenvolvido com base em tecnologia mista e integrada por software e hardware, renderam ao grupo de estudantes classificação entre os 15 trabalhos finalistas do 3º Desafio Inova Paula Souza de Ideias e Negócios (ver boxe).

Riscos

A Civi foi desenvolvida por Geovanni na linguagem de programação C, uma das mais populares, e está estruturada na atuação de três sensores integrados e com funcionamento em tempo real. O primeiro sensor, de pressão, fica embaixo do estofamento da cadeirinha e indica se há ou não uma criança nela. O segundo, infravermelho e acoplado no cinto de segurança do motorista, detecta a presença ou não do condutor. O último, um termômetro, monitora a temperatura no interior do veículo.

Os dados da operação da cadeira infantil são informados em uma tela (display). O sistema entra em estado de atenção quando o motorista desafivela seu cinto de segurança e sai do veículo. A partir daí, a temperatura no interior do carro começa a ser monitorada e, em três minutos, é disparada mensagem de texto (SMS) para o celular do condutor destacando a temperatura atual no interior do veículo.

Distração

Caso não haja resposta do condutor, ou seja, se ele não retornar ao automóvel para desativar o sistema, serão enviadas mais duas mensagens relativas à temperatura medida pelo sensor, uma a cada três minutos. Se ainda assim o motorista não voltar ao veículo (e socorrer a eventual vítima), receberá chamada no celular feita pela própria Civi. Entretanto, se ele atender a ligação, no mesmo instante será acionada a buzina do carro e o vidro direito traseiro do veículo será abaixado.

Segundo os estudantes, a cadeira inteligente é um produto recomendado a todo condutor que tem filho pequeno ou transporta crianças. Eles avaliam que atualmente muitos motoristas se distraem com diversos estímulos recebidos ao longo do dia, a maioria deles vindos pelo celular. A lista inclui avisos sobre trânsito, notificações de redes sociais e chamadas pelo smartphone.

“Como o celular virou acessório inseparável para a maioria da população, optamos por aproveitá-lo para receber os alertas de segurança da Civi”, sublinham os estudantes. “Outra estratégia adotada foi aproveitar a própria rede de telefonia móvel das operadoras para sua execução, ou seja, o sistema não depende de internet móvel 3G ou 4G para funcionar”, esclarecem.

Colaboradores

O trio de universitários segue fazendo as disciplinas ainda restantes para finalizar o curso. Em três dos seis semestres de estudo, o projeto de TCC foi orientado pelos professores Cleber Gomes, Wagner Massarope e Carlos Morioka, este também coordenador do curso de Eletrônica Automotiva da Fatec Santo André. “Embora o tema tenha sido sugerido pelo próprio grupo, o apoio dos docentes foi fundamental em todas as etapas do trabalho”, destacaram os estudantes.

Na redação do texto final do trabalho acadêmico, os universitários dedicaram agradecimento especial a Fábio Chonso, amigo de Geovanni. Os dois trabalharam juntos em uma empresa especializada em biometria e telemetria – e Chonso auxiliou o grupo a desenvolver o sistema de transmissão de dados da cadeira veicular inteligente pela rede de telefonia.

Desdobramentos

A expectativa dos universitários é patentear, em breve, a tecnologia da Civi. O sistema desenvolvido foi oferecido a montadoras de veículos e fabricantes de cadeirinhas, e o grupo não descarta a ideia de montar negócio próprio para fabricar o dispositivo. “Produzir em maior escala permitirá reduzir custos. No total, todos os componentes do protótipo custaram R$ 250”, observam.

Outra possibilidade é alguma empresa ter interesse pelo dispositivo e se associar aos estudantes para produzi-lo ou, ainda, adquirir deles o direito de empregar a tecnologia. Eventuais interessados devem entrar em contato com a direção da Fatec Santo André (ver serviço).


Civi é um dos finalistas do Desafio Inova

A Cadeira Infantil Veicular Inteligente (Civi) é um dos 15 projetos finalistas do 3º Desafio Inova Paula Souza de Ideias e Negócios. Neste ano, o concurso do centro paulista de ensino tecnológico recebeu 3 mil trabalhos e a lista dos classificados está disponível para consulta no site do Centro Paula Souza. A premiação visa a estimular o espírito empreendedor e destacar pesquisas realizadas nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e Fatecs com potencial para originar produtos e serviços.

A avaliação dos trabalhos é feita por um júri composto por profissionais e empresários de diferentes áreas. O anúncio dos campeões ocorrerá no dia 24, às 9 horas, em solenidade no Centro de Capacitação do Centro Paula Souza, na Rua General Couto de Magalhães, 145, Santa Ifigênia, região central da capital.

Serviço

Fatec Santo André
E-mail secretaria@fatecsantoandre.com.br
Telefone (11) 4437-2215

Os 15 projetos finalistas do 3º Desafio de Inovação estão em http://goo.gl/gH30B0
Para assistir ao vídeo com a apresentação do Civi basta acessar https://goo.gl/7hiAYu

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página III do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 05/05/2016. (PDF)

Alunos da Etec Albert Einstein criam bicicleta magnética

Projeto apresenta alternativa sustentável para a questão do transporte nas grandes cidades; trabalho é um dos 15 finalistas do 3º Desafio Inova Paula Souza

Imagine uma bicicleta que permite ao ciclista se esforçar duas vezes menos e facilitar a subida de ladeiras e ruas íngremes, como as muitas existentes em São Paulo. Esse é o conceito da bike magnética – inovação que utiliza ímãs instalados nas rodas capazes de triplicar a força de tração a cada pedalada.

O protótipo da bicicleta é o trabalho de conclusão de curso (TCC) de três alunos do curso de Administração da Escola Técnica Estadual (Etec) Albert Einstein, localizada no bairro da Casa Verde, zona norte da capital. Sem poluir e com apelo sustentável, o projeto foi um dos finalistas na categoria Industrial da 9ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), realizada em outubro.

Agora, o projeto é um dos 15 finalistas do 3º Desafio Inova Paula Souza de Ideias e Negócios (ver tabela). Neste ano, o concurso anual do centro paulista de ensino tecnológico recebeu 3 mil trabalhos e sua premiação visa a estimular o espírito empreendedor e destacar pesquisas realizadas nas Etecs e Faculdades Estaduais de Tecnologia (Fatecs) com potencial para originar produtos e serviços.

A avaliação dos trabalhos é feita por um júri composto por profissionais e empresários de diferentes áreas. O anúncio dos campeões ocorrerá às 9 horas do dia 24 de maio, em solenidade no Centro de Capacitação do Centro Paula Souza, na Rua General Couto de Magalhães, 145, Santa Ifigênia, região central da capital.

Segredo industrial

A bicicleta magnética é fruto da criatividade e pesquisa na área de Física, em especial dos ensinamentos do cientista Isaac Newton (1643-1727), realizada pelo alunos Ingrid Santos, Kauana Meireles e Gabriel Souza. Desenvolvido na Etec ao longo do ano passado, o projeto foi orientado pela professora Maíra Cezaretto, mestra e coordenadora da área de Administração.

“O trabalho exigiu horas de estudo na biblioteca do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP)”, relatam as estudantes Ingrid e Kauana. “Muitas ideias postas em prática vieram de conhecimentos na área de exatas do Gabriel Souza, ferramenteiro exímio, hoje universitário de Engenharia Civil”, destacam.

Além de reduzir o esforço do condutor, a bicicleta dispõe de sistema de tração auxiliar magnética sem eletricidade que tem por base as forças de atração e de repulsão presentes no conjunto. Do choque dessas duas correntes nasce a força circular, que permite ao condutor pedalar duas vezes menos.

Acessibilidade

Além do desejo de vencer o 3º Desafio, o grupo espera proposta de algum fabricante de bicicleta ou de empresa disposta a investir no aprimoramento da tecnologia – eventuais interessados devem procurar a direção da Etec (ver serviço). O protótipo desenvolvido custou R$ 350 e foi montado em uma bicicleta infantil, que teve sua viabilidade e eficiência comprovadas pelo primo de Souza, “piloto de provas” com 6 anos de idade, com peso e altura compatíveis com a da bike magnética.

“Diversos cálculos confirmaram a eficiência do sistema que tem como base os campos magnéticos”, revelam as ex-alunas. Segundo elas, o trabalho segue em desenvolvimento. As próximas metas são patentear a tecnologia e produzir a versão da bicicleta para adultos. “Outras possibilidades são adaptar a tecnologia com dispositivos direcionados à mobilidade e acessibilidade, como, por exemplo, cadeira de rodas”, explicam.

Pontuais

A repercussão obtida pelo trabalho foi uma surpresa para a professora Maíra. Ela conta que todo ano a Etec sugere um tema inédito e comum para os trabalhos de conclusão de curso, sempre buscando alternativas viáveis ante os desafios existentes na sociedade, considerando aspectos sociais, tecnológicos e financeiros. No ano passado, a proposta apresentada aos estudantes era buscar um meio de transporte, mesmo que conceitual, capaz de atenuar o problema do tempo perdido no trânsito das grandes cidades do Estado e do País.

A solução não poderia exigir grandes mudanças urbanísticas, como mudar mãos de direção de ruas ou abrir novas avenidas. Deveria ser segura, ou seja, não trazer risco à vida nem ao patrimônio público e privado e, ainda, ser de perfil ecológico, isto é, apresentar eficiência energética e aproveitar recursos disponíveis e de baixo custo.

Evolução

A princípio, o trio de estudantes idealizou um serviço de táxi baseado nas bicicletas, como o utilizado na China para transportar passageiros. No entanto, o peso do condutor, a pavimentação das ruas das cidades brasileiras e a existência de muitas subidas inviabilizaram a ideia, por questões de segurança. A inspiração seguinte foi a bicicleta elétrica, solução mista, que mescla o esforço humano com motor elétrico ou a combustão.

A ideia foi novamente descartada, contou a professora Maíra, pelo fato de o motor elétrico usar bateria e ela conter materiais pesados em sua composição. O potencial poluente também inviabilizou uma solução com motor a combustão. A criação da bicicleta magnética acabou sendo a evolução natural do trabalho.


Finalistas do 3º Desafio Inova Paula Souza

Projeto Etec/Fatec Cidade
Aplicativo mobile de aprendizado e gestão escolar através do uso da gamificação Etec Prof. Idio Zucchi Bebedouro
Sistema Inteligente de Reutilização de Água (SIRA) Fatec Itapetininga Itapetininga
Sistema GPA Fatec Jales Jales
Ecoo-Jahu – Tecnologia para medição de volumes de represas Fatec Jahu Jaú
O Apagaluz – Sistema de economia de energia Fatec Piracicaba Piracicaba
Economic Shower Etec Tenente Aviador Gustavo Klug Pirassununga
Detect4 – Detecção e prevenção contra explosão por vazamento em quatro etapas Etec Júlio de Mesquita Santo André
Cadeira infantil veicular inteligente Fatec Santo André Santo André
Célula de combustível auxiliar para carros Etec Aristóteles Ferreira Santos
Bicicletário Automatizado Fatec São Bernardo do Campo – Adib Moisés Dib São Bernardo do Campo
Energia Líquida – EL42U Fatec São Carlos São Carlos
Bicicleta magnética Etec Albert Einstein São Paulo
Rede de soluções em gestão e tecnologia Fatec Sertãozinho – Dep. Waldyr Alceu Trigo Sertãozinho
Produção de tinta com adição da borra de tinta Etec de Suzano Suzano
VivBem Fatec Taquaritinga Taquaritinga

Serviço

Etec Albert Einstein
E-mail e023dir@cps.sp.gov.br
Telefone (11) 3966-0503

Vídeo com a apresentação da bicicleta em https://goo.gl/je4qjw

Rogério Mascia Silveira
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 03/05/2016. (PDF)