USP abre inscrições para programa da terceira idade

Até sexta-feira (5 de março), a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP (PRCEU) abre inscrições para o programa Universidade Aberta à Terceira Idade. A iniciativa é dirigida a pessoas com idade a partir de 60 anos e oferece aos idosos a possibilidade de obter conhecimentos em alguma área de seu interesse, se integrar com a comunidade acadêmica e trocar experiências com os jovens.

As aulas são oferecidas nos câmpus de Bauru, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, São Carlos e São Paulo. Para cursar a maioria das disciplinas, não é exigido nenhum conhecimento prévio, porém algumas matérias mais específicas requerem exame prévio de currículo ou entrevista com o docente responsável.

A inscrição é feita diretamente na unidade que oferece a disciplina desejada. Entretanto, como alguns câmpus têm calendário diferenciado, é necessário consultar o catálogo de disciplinas regulares e atividades complementares distribuído pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU). No término do curso, o idoso se conscientiza da importância de seu papel na comunidade e tem direito a receber um atestado de participação emitido pela USP.

Na capital, o catálogo de informações pode ser encontrado no Centro de Visitantes da USP (Praça Reynaldo Porchat, 110), ao lado do portão principal da Cidade Universitária e também no Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antônia, 294), bairro da Consolação, região central.

Saber acumulado

“O avanço da idade acarreta perdas, mas o idoso tem um bem precioso, que é sua memória, sua história, seu saber. Isso ninguém tira dele”, afirma a professora Ecléa Bosi, coordenadora acadêmica do projeto. “Queremos trazer essas pessoas cada vez mais para nossas salas de aula. Todos os professores asseguram que o nível da classe sobe muito com a presença dos alunos da terceira idade”.

Serviço

Universidade Aberta à Terceira Idade da USP
Correio eletrônico – usp3idad@usp.br
Tel. (11) 3091-9183

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 02/03/2004. (PDF)

Banco do Povo Paulista inaugura Programa Pró-Lar em Piracicaba

Estado financia reforma e ampliação de imóveis residenciais de cidadãos com renda familiar mensal entre 1 e 5 salários mínimos; Piracicaba é a 13ª cidade do interior contemplada

A agência de Piracicaba do Banco do Povo Paulista inaugurou o Programa Pró-Lar, da Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert). A iniciativa concede financiamentos de R$ 500 a R$ 5 mil para a aquisição de material para a reforma e ampliação de imóveis residenciais da população com renda familiar mensal entre um e cinco salários mínimos.

Os empréstimos são fixados de acordo com a renda do beneficiário. Os prazos de pagamento variam entre seis e 48 meses e os juros cobrados são de 0,5% ao mês, mais correção anual pela Taxa Referencial (TR). “No entanto, mantendo o pagamento em dia, não cobramos os juros”, afirma Barjas Negri, secretário estadual da Habitação.

Para obter o dinheiro, além da comprovação da renda entre um e cinco salários mínimos, os contemplados não podem ter restrição de crédito, ou seja, não podem ter o nome inscrito em instituições como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Serasa, devem ser proprietários de apenas um imóvel e não podem dispor de outro financiamento habitacional.

As famílias interessadas em obter o empréstimo devem ir ao posto de atendimento do Banco do Povo de Piracicaba e apresentar a documentação necessária. Após a aprovação, os beneficiários recebem um cartão magnético, com o crédito no valor do financiamento, e compram o material de construção nas lojas de Piracicaba credenciadas ao programa. O pagamento só começa 90 dias após a liberação do crédito.

Segundo Negri, o Pró-Lar cumpre dois importantes papéis. “Além de ajudar as famílias de baixa renda a ter uma casa melhor para morar, contribui também com o aquecimento do comércio local, mantendo e gerando empregos”, explica.

História

O Programa Pró-Lar foi criado em outubro de 2002, já atendeu 1.121 famílias no Estado e repassou créditos na importância de R$ 4,8 milhões. Ele é exclusivo para as cidades que têm instaladas agências do Banco do Povo e estejam autorizadas por lei municipal a assinar com a administração estadual o convênio que regulamenta o programa. O agente financeiro das operações é o banco estadual Nossa Caixa.

Os municípios já contemplados com o Programa Pró-Lar são Aparecida, Cravinhos, Dracena, Guariba, Jales, Jardinópolis, Jaú, Pontal, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Registro e Santa Fé do Sul. Em Piracicaba, a solenidade de lançamento teve as presenças dos secretários de Estado, Francisco Prado de Oliveira Ribeiro (Emprego e Relações do Trabalho), Barjas Negri (Habitação), de Guaracy Fontes Monteiro Filho, diretor-executivo do Banco do Povo, e José Machado, prefeito de Piracicaba.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 21/02/2004. (PDF)

Unesp mantém em Araraquara maior museu e acervo odontológico do País

Exposição apresenta a evolução do instrumental odontológico e a história da faculdade local, a segunda mais antiga do Brasil

As 3 mil peças do Museu Odontológico Prof. Dr. Welingtom Dinelli da Universidade Estadual Paulista (Unesp) preservam, em Araraquara, a história da odontologia, a evolução do instrumental odontológico e a história da faculdade, a segunda escola de odontologia mais antiga do Brasil, que completou 80 anos no ano passado. O acervo é o maior e mais variado do País, e tem o maior número de itens em exposição permanente que se conhece.

O museu ocupa cem metros quadrados de uma sala no andar térreo da Faculdade de Odontologia (FO), anexo à biblioteca. Nele, o público tem a oportunidade de conhecer consultórios antigos, modelos dentários, material didático, catálogos, aparelhos de alta rotação e sua evolução ao longo do tempo, sugadores de saliva, medicamentos, estufas esterilizadoras e antigos anúncios de material odontológico restaurados.

História da odontologia

Desde outubro de 2003, abre todos os dias úteis para visitação. Mostra a cronologia da história da Odontologia e o público descobre que o ofício do dentista foi exercido na Idade Média por barbeiros, por volta do ano 1100. As informações são oferecidas por meio de retratos e fotos de época, alguns assustadores, que mostram como era feito o atendimento aos pacientes.

Na sequência, a exposição apresenta um consultório itinerante, do século 19, que era transportado no lombo de burros para atender à população brasileira dispersa em pontos longínquos, principalmente no interior da Bahia e de Minas Gerais. O destaque seguinte é um consultório retrátil utilizado na Segunda Guerra Mundial, que era lançado de para-quedas para atender aos soldados no campo de batalha. Do mesmo período, há um aparelho alemão de Raios X, da Siemens, dos anos 40, que, segundo os expositores, deixou de ser fabricado por ser eficiente demais. “Nunca quebrou e, se for preciso, pode ser usado até hoje”, conta Carolina Carvalho Bortoletto, monitora do museu.

Parcerias de sucesso

Roberto Esberard, vice-diretor da FO, conta que o Museu Odontológico recebeu, há algum tempo, importante apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp), e conta, até hoje, com o auxílio da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), mas o seu principal aliado para colocá-lo em atividade permanente foi a Pró-Reitoria de Extensão Universitária (Proex) da Unesp.

“O pró-reitor de Extensão Benedito Barraviera ofereceu auxílio financeiro e patrocinou uma bolsa de estudos, que foi repassada para um dos alunos monitores de visitação. E a Dabi Atlante, fabricante de material odontológico, também concedeu uma bolsa de estudos por meio do Projeto Adote um Aluno da Unesp. As duas bolsas mantêm os dois monitores, que se dividem nos períodos da manhã e da tarde. A Dabi Atlante prometeu recursos significativos para o início de março para dar prosseguimento às atividades do museu”, conta Esberard.

Agendamento

O Museu foi incluído pela Secretaria de Turismo de Araraquara como atração turística permanente da cidade. Desde sua inauguração, mais de mil pessoas assinaram a lista de visitas. Ele foi incluído no Guia Brasileiro de Museus e fica aberto de segunda a sexta-feira, das 9 às 11 horas e das 15 às 17 horas, com entrada franca. As escolas ou grupos interessados em conhecê-lo devem entrar em contato com a diretoria da FO pelo telefone (16) 3301-6300.

Permutas e doações

“Tenho a ferrugem no sangue, sou colecionador de lambretas, vespas e automóveis antigos. Há dois anos, fui convidado pelo professor Dinelli e dei prosseguimento à sua iniciativa”, lembra o vice-diretor Esberard. “Desde o início, recebi o apoio do professor Ricardo Abi-Rached, diretor da FO e de todos os departamentos, que não mediram esforços no sentido de consolidar as atividades”, recorda.

“Minha preocupação foi criar ambientes propícios para a visitação do público com conforto. Adaptei as instalações disponíveis, reuni e dispus as peças de modo didático-funcional, com o objetivo de tornar a exposição auto-explicativa para os leigos”, conta, acrescentando: “Para isso, visitei os principais museus odontológicos do País: da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), na capital, de Piracicaba e um no Rio de Janeiro”, diz Esberard. “Mantenho contato permanente com essas instituições e sempre consigo, por meio de permutas e doações, novos itens”, relata.

Ideia do Museu nasceu há mais de 30 anos

A idéia de um museu odontológico teve início no final da década de 1970 quando o ex-diretor da FO, Rafael Lia Rolfsen, solicitou aos ex-alunos e fornecedores da universidade que doassem peças em desuso. Inicialmente, elas foram estocadas numa pequena sala do 6º andar do prédio da faculdade e, assim, o museu começou a tomar forma no início dos anos 80, quando o professor Welingtom Dinelli, também ex-diretor da FO, abraçou a causa.

Os anos de luta pela efetivação renderam ao professor Dinelli uma homenagem: o conjunto foi batizado com seu nome. “A maior dificuldade foi conseguir local definitivo para receber o acervo, que até hoje cresce sem parar”, explica Dinelli. A disposição em preservar a história da instituição acabou por contagiar outros profissionais da faculdade, como a professora Ângela Cristina Zuanon, do Departamento de Odontopediatria, a bibliotecária Maria Helena Matsumoto Komasti Leves, o supervisor de seção Róbson Ostan, o auxiliar acadêmico aposentado Cláudio Titã e o pintor Wagner Adalberto Correa dos Santos”, finaliza. Esberard, assumiu a coordenação do museu em 2002.

Rogério Mascia Silveira (texto e fotos)
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 12/02/2004. (PDF)