Instituto de Psiquiatria do HC amplia suas instalações e muda o atendimento

Reforma do centro substitui grandes enfermarias por unidades de internação e ambulatórios ambientados para solução de problemas

O governo estadual inaugurou, ontem, parte do conjunto de obras que compõem o projeto de reforma e modernização da área física do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas. A iniciativa transformou o centro em referência nacional no atendimento psiquiátrico, ensino e pesquisa em saúde mental.

A solenidade de inauguração contou com a presença do governador Geraldo Alckmin e do secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata. Eles anunciaram mudanças como o aumento da capacidade de atendimento ambulatorial, de 40 mil consultas para 120 mil por ano. E divulgaram também o crescimento no total de leitos disponíveis – que passam a ser 210 –, com vagas distribuídas em 12 pequenas enfermarias de, no máximo, 20 leitos cada.

A ampliação do IPq é projeto do Núcleo de Pesquisa em Tecnologia de Arquitetura e Urbanismo da USP (Nutau). O trabalho foi iniciado em 1996 e recebeu investimento de R$ 20 milhões do governo paulista. É baseado em modelos de instituições psiquiátricas da Europa e dos EUA e permite atendimento integrado de transtornos afins.

A proposta do IPq é substituir grandes enfermarias coletivas por unidades de internação e ambulatórios especialmente ambientados – com arquitetura de interiores e paisagismo – para o manejo de problemas relacionados. O conjunto de medidas evita a convivência forçada de pacientes com transtornos incompatíveis, fator que dificulta o atendimento. E procura também reduzir o sofrimento e o estigma associado às antigas instituições psiquiátricas.

Mudanças

A mudança no IPq prevê também uma nova abordagem de atendimento ao paciente psiquiátrico. Não há chaves nos quartos e o internado pode conviver livremente com médicos e professores, além de receber a visita de familiares nas áreas comuns do prédio.

Enfermarias especializadas evitam, por exemplo, que pacientes com quadro de depressão estejam em convívio com psicóticos. E que crianças ocupem o mesmo espaço dos adultos. Além disso, cada andar tem características específicas para cada tipo de paciente. A ala de geriatria tem corrimãos em todos os espaços, banheiros adaptados e piso antiderrapante. Outro exemplo: portadores de transtornos alimentares contarão com cozinha experimental, onde terão contato com alimentos e serão estimulados no preparo dos mesmos.

Já funcionando

No IPq já estão funcionando as áreas de geriatria (transtornos psiquiátricos do idoso); comportamento impulsivo (transtornos relacionados a álcool, drogas, jogo patológico); comportamento alimentar (anorexia, bulimia); ansiedade e depressão; unidade infanto-juvenil; centro de tratamento intensivo especial (para paciente psiquiátrico com quadro infecto-contagioso); laboratório de patologia clínica; áreas técnico-administrativas e biblioteca completa em psiquiatria.

Serão inaugurados também em breve serviços de apoio como farmácia, nutrição e dieta. E o instituto passará a atender casos de transtorno obsessivo-compulsivo, síndrome do pânico, esquizofrenia, suicídio, disfunções sexuais, transtornos psicóticos e de personalidade, transtornos da infância e adolescência, distúrbios do sono e epilepsia.

Estudo realizado pelo IPq revela que na capital, como em outras cidades do mundo, um em cada três adultos teve, ou terá, algum dia, um transtorno psiquiátrico. Mostrou também que cerca de sete milhões de jovens brasileiros possuem pelo menos um transtorno psiquiátrico e necessitam de atendimento. Segundo Valentim Gentil Filho, diretor do IPq, é urgente a implementação de programas de prevenção.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 17/09/2004. (PDF)

Semana da Solidariedade promove ações para portadores de necessidades especiais

Iniciativa do Fussesp pretende capacitar essas pessoas e integrá-las no mercado profissional. O País tem 24 milhões de deficientes com apenas 1 milhão exercendo atividade remunerada, e só 200 mil têm carteira assinada

O Fundo Social de Solidariedade do Estado (Fussesp) inaugura hoje, às 11 horas, a 4ª Semana da Solidariedade na Estação Especial da Lapa, zona oeste da capital. Nesse ano, o evento privilegia ações direcionadas aos portadores de necessidades especiais como cursos de iniciação profissional, esportes adaptados e oficinas culturais para cerca de 1,8 mil usuários, dos quais 70% são portadores de deficiência. O objetivo é qualificá-los e integrá-los no mercado de trabalho e na sociedade.

Segundo o último censo do IBGE, 14,5% dos brasileiros têm algum tipo de carência física (24 milhões), dos quais 4 milhões vivem no Estado de São Paulo. Pesquisa do Instituto Ethos mostrou que 9 milhões têm idade para trabalhar, mas somente 1 milhão exerce atividade remunerada. Desse total, apenas 200 mil têm carteira assinada.

O evento, uma teleconferência sobre o tema, reúne educadores, estudantes e comunidades ligadas às escolas públicas estaduais. Traz também show com a Banda Rouge e o festival de esportes Onde Competir é Cooperar, com a participação de instituições civis que atendem a essa parcela da sociedade.

“É preciso que haja o compromisso ético da população com a diversidade, o respeito com as diferenças e a igualdade de oportunidades para que todos possam desenvolver seus potenciais. Todo cidadão tem direito à educação, ao lazer, ao trabalho e ao esporte. Enfim, direito à vida. É assim que se faz a inclusão”, diz Lu Alckmin, presidente do Fussesp.

A inclusão do portador de deficiência no mercado é prevista pela Lei Orgânica da Previdência Social (Lei Federal 3.807, de 26 de agosto de 1960), que determina cotas de participação na mão-de-obra das empresas privadas (com mais de 100 funcionários) para essas pessoas. No caso de instituição pública, devem ser reservadas 5% das vagas em concurso.

Superando limites

Na Estação Sé do Metrô, amanhã, às 20 horas, será inaugurada a exposição de fotografias Imagens da Inclusão, com painéis de pessoas que se notabilizaram por realizar feitos extraordinários, superando os limites impostos pela deficiência. No dia 20, às 20 horas, na agência central do Banco Santander-Banespa, serão exibidas pinturas e esculturas produzidas pelos usuários da Estação Especial da Lapa e de outras entidades de apoio ao deficiente.

Durante a Semana da Solidariedade, a presidente do Fussesp visitará 14 entidades da capital que atendem aos carentes com deficiência. Nesses locais, várias secretarias de governo, autarquias, entidades civis e privadas, organizações não-governamentais e empresários estarão promovendo ações de apoio e desenvolvendo atividades que vão de palestras informativas a eventos culturais.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 14/09/2004. (PDF)

Secretário da Educação é escolhido o Educador do Ano 2004

O secretário estadual da Educação Gabriel Chalita foi escolhido Educador do Ano 2004 – Prêmio Fernando de Azevedo. A homenagem foi decidida após votação unânime realizada na última quinta-feira, no Rio de Janeiro, na sede da Academia Brasileira de Educação (ABE).

A ABE é uma entidade que debate problemas e sugere soluções para elevar o nível educacional da população e preservar a memória dos intelectuais que se destacaram no meio. A solenidade de entrega do prêmio será realizada no mês outubro. Em 2003, a escolha recaiu sobre o nome de Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil.

“Dedico este prêmio de corpo e alma aos professores da rede pública estadual”, disse Chalita. “Já recebi outras comendas, porém esta foi a que mais me emocionou, por ter sido conferida pela única entidade nacional que congrega ex-ministros da educação”, afirmou.

No início desta semana o secretário da educação também lançou a versão em espanhol de seu 36º livro: “Os Dez Mandamentos da Ética“. A nova edição foi lançada em Buenos Aires e, no início de 2005, receberá traduções para o inglês e alemão. Segundo o autor, a obra contribui para a discussão de valores fundamentais no cotidiano das pessoas, como a educação e as relações entre pais e filhos.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 11/09/2004. (PDF)