Butantan é opção cultural e educativa para as férias de julho

Com 720 mil metros quadrados e uma das maiores coleções de serpentes do mundo (mais de 50 mil exemplares), o Instituto Butantan é uma boa atração para as férias – e só não abre às segundas-feiras

O Instituto Butantan, vinculado à Secretaria da Saúde, é uma das atrações turísticas mais visitadas da capital e ótima opção de passeio para as férias escolares. Fundado em 23 de fevereiro de 1901, o centro de pesquisa biomédica abriga quatro museus (Biológico, Histórico, Microbiológico e o de Rua), uma das maiores coleções de serpentes do mundo (54 mil exemplares) e 720 mil metros quadrados de área verde. O Museu Biológico, recentemente reformado, recebe cerca de 200 mil visitas por ano. O público tem a oportunidade de aprender com os monitores sobre serpentes (surucucu, jiboia, cascavel, píton indiana e naja egípcia) e também sobre iguanas gigantes, lagartos, aranhas, escorpiões e sapos.

“Na reforma, foram trocadas as estruturas de madeira do forro e as calhas que, danificadas, provocavam infiltração. O prédio, construído em 1920, é tombado e considerado um dos principais pontos de interesse”, afirma Otávio Mercadante, diretor do instituto.

O sistema de bilheteria única é outra novidade. Com apenas um tíquete o visitante pode conhecer todas as instalações. A finalidade é integrar os diferentes espaços culturais e estimular a percepção do público sobre a importância dos trabalhos desenvolvidos no instituto e suas aplicações no cotidiano.

Serviço

O Instituto Butantan fica na Avenida Vital Brasil, 1.500. Abre para visitação de terça-feira a domingo, das 9 horas às 16h30. O ingresso é gratuito para menores de sete anos e idosos. Estudante com carteirinha paga R$ 2. Demais visitantes pagam R$ 5. Mais informações no site.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 08/07/2005. (PDF)

Cetesb lança quatro guias técnicos ambientais de Produção Mais Limpa

Manuais orientam como produzir bijuterias, couros, cítricos, cerveja e refrigerantes com menos água e resíduos tóxicos

Durante a realização da 20ª reunião da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado (Cetesb) lançou quatro Guias Técnicos Ambientais com informações para empresários aprenderem a produzir bijuterias, couros, sucos cítricos e cerveja sob o conceito Produção mais Limpa (P+L), inovação que traz economia para o empreendedor e reduz emissões de resíduos lançados no meio ambiente.

O sistema P+L foi definido pelo Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (PNUMA), no início da década de 1990. É aplicado nos processos produtivos e visa a conservar recursos naturais (matérias-primas, água e energia), eliminar matérias-primas tóxicas e reduzir resíduos. E também, a diminuir impactos negativos existentes no ciclo de vida de um produto no mercado e reduzir riscos para as pessoas e o meio ambiente.

A reunião da Abema, realizada de 29 de junho a 1º de julho, na capital trouxe novidades internacionais, como a incorporação do consumo e do agronegócio ao conceito de Produção mais Limpa. Essa proposta foi apresentada no 8º Seminário Internacional de Consumo e Produção Sustentáveis, realizado pelo PNUMA, na cidade de Monterrey, no México nos dias 15 e 16 de junho.

Quatro manuais

O guia de bijuterias é uma parceria da Cetesb iniciada em 2003 com a Associação Limeirense de Jóias, o Sindijoias e o Ciesp. A região de Limeira é o principal pólo produtor do País e responde por 50% do total do Estado. Os outros três guias foram desenvolvidos internamente na Cetesb.

Para os couros, foi criado o guia de curtumes com o auxílio de dados fornecidos por seis entidades espalhadas pelo País, ligadas à produção do insumo. Visa a reduzir o consumo de água e problemas relacionados à contaminação por cromo, sulfetos e carga orgânica de efluentes e resíduos. São Paulo detém 23% da produção nacional e o Brasil responde por 11% da produção mundial.

O Estado de São Paulo é o maior pomar citrícola do mundo. Produz 45% da laranja mundial e envolve 320 municípios com 400 mil empregos diretos. O objetivo do guia desse segmento é prevenir impactos relacionados com o uso da água, odores e efluentes. E o manual é inovador: torna públicas informações até então escassas na literatura técnica brasileira sobre a citricultura.

O guia sobre cervejas e refrigerantes teve apoio das indústrias cervejeiras. O foco também foi a redução no consumo de água e da carga orgânica dos efluentes e resíduos. “É um setor com grande potencial de criar e efetivar ações de uso racional e minimização de poluentes. Por exemplo, o bagaço de cevada pode ser utilizado como ração animal e o setor cervejeiro oferece diversas opções de reúso de água dentro do próprio processo”, explica o engenheiro Flávio Ribeiro, gerente do setor de tecnologias limpas da Cetesb.

Download disponível

Interessados nas informações dos guias podem fazer o download dos quatro manuais no site da Cetesb. Segundo Ribeiro, os manuais não indicam soluções definitivas para as empresas, porém apontam caminhos possíveis para atender a problemas ambientais previstos na legislação e trazem ações preventivas.

“O objetivo dos guias é estimular o empreendedor a rever seus processos produtivos. Somente ele conhece profundamente todas operações de seu negócio e, desse modo, consegue adequar-se ambientalmente, evitando multas e acidentes. Melhora também a imagem de sua organização junto à sociedade e diminui os gastos com tratamento e disposição final dos resíduos, além de satisfazer imposições de mercados consumidores mais exigentes”, explica Ribeiro.

O engenheiro observa que as grandes corporações dispõem de tecnologias de preservação ambiental mais eficientes, porém seu desafio é conter seu maior potencial poluidor em virtude da sua escala de produção. Para as pequenas e médias empresas, a intenção dos guias é oferecer informações difíceis de serem encontradas.

Casos de sucesso

No site da Cetesb, há espaço para divulgação de experiências bem-sucedidas com tecnologias limpas. Um exemplo é o da filial da cervejaria Ambev, instalada em Jaguariúna. Em 2002, a empresa fez uma ação para conter desperdícios de água, principalmente na lavagem de equipamentos e resfriamento de processos. Assim, modificou a planta das instalações, introduziu medidas de reúso e eliminou vazamentos. O investimento foi de R$ 98 mil e, depois de um ano, a economia proporcionada já era de R$ 250 mil.

Outro exemplo é o da Mahle, empresa metalúrgica do setor automotivo, instalada no ABC, que substituiu o dióxido de carbono por ar-comprimido. O dióxido de carbono é um gás que contribui para o efeito estufa, enquanto o ar-comprimido é um insumo que já era utilizado para outras finalidades dentro da empresa. A inovação foi empregada em 2002 para a montagem de eixos automotivos, sem nenhum custo extra para a empresa.

Em contrapartida, trouxe redução de emissão de 160 toneladas anuais do gás e os custos de produção do eixo foram reduzidos em R$ 300 mil por ano, já que o gás não precisou mais ser comprado.

Mais manuais

A proposta da Cetesb é revisar e trazer informações atualizadas para os manuais, além de estender os títulos da coleção Produção Mais Limpa para outros setores produtivos que impactam o meio-ambiente, como o de cosméticos (edição quase pronta), mineração, calçados, abatedouros, sucroalcooleiro e pisos e revestimentos cerâmicos. E Ribeiro informa que a Cetesb está de portas abertas para quaisquer setores interessados em desenvolver parcerias.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 01/07/2005. (PDF)

Operação Caça-Fumaça da Cetesb autua 35 motoristas no primeiro dia de blitze

Infrator tem de pagar multa de R$ 800 e levar o carro a uma oficina, num prazo de 20 dias, para sanar o problema

Com o objetivo de manter a qualidade do ar satisfatória para a população da região metropolitana de São Paulo nos meses de outono e inverno, a Cetesb deu início à Operação Caça-Fumaça, de fiscalização de veículos movidos a diesel. A primeira blitze de 2005 autuou 35 proprietários de veículos que estavam com emissões de gases acima do limite permitido pela legislação ambiental.

A operação foi realizada na Avenida Salim Farah Maluf, no bairro de Sapopemba, na zona leste da capital. O presidente da Cetesb, Rubens Lara, esteve no local e acompanhou o trabalho, realizado em parceria com a Polícia Militar. Dados da Cetesb indicam que, em junho de 1995, cerca de 45% da frota diesel da região metropolitana da capital circulava desregulada. Neste ano, o total verificado foi de 6,1%.

Segundo Lara, o baixo número de multas é resultado das campanhas de conscientização, em especial às dirigidas aos 363 donos de frotas de ônibus e transportadores de carga da região metropolitana, que foram avisados sobre a iniciativa. “A redução nas emissões melhora a qualidade do ar, diminui o ruído e traz economia para o dono do veículo, que passa a consumir menos combustível, pneus e óleo lubrificante”, disse.

O valor inicial da multa para quem é flagrado com emissões de gases acima do permitido é de R$ 800 (60 Ufesps). Depois da autuação, é estipulado prazo de 20 dias para o dono do veículo levá-lo numa oficina e fazer a manutenção corretiva. Se não adotar as providências legais e for novamente parado pela fiscalização, o valor da multa dobra.

Inspeção obrigatória

Segundo Wanderley Costa, engenheiro do setor de operações da companhia, um dos caminhos para reduzir as emissões é estimular a renovação da frota. Os veículos mais antigos poluem muito mais do que os novos, que estão de acordo com os novos padrões de emissões. No Estado, os carros têm idade média de 12 anos e os veículos a diesel, dez anos.

Outro desafio é adaptar as motocicletas à legislação ambiental. As mais antigas chegam a emitir, em média, 50 g de poluentes por dia, enquanto os carros populares novos lançam, no máximo, 2 gramas. Na opinião de Wanderley, a principal medida para diminuir as emissões será a instalação da inspeção veicular para toda a frota nacional. Os veículos de uso intenso (carga) deverão ser fiscalizados a cada seis meses e os demais, uma vez por ano.

“Prevenir é o ideal. Enquanto não chega a inspeção obrigatória, a recomendação para o motorista é visitar, pelo menos uma vez por ano, a oficina para manutenção dos freios, velas, filtros, cabos, ignição, catalisador e demais componentes”, explica.

Wanderley recomenda aos condutores de veículos diesel desligar o motor sempre que parar o carro, mesmo que por poucos minutos. “Há um hábito arraigado entre os motoristas de nunca fazer isso. Acham que é necessário esquentar o motor. O fato é que, ao final de um dia de trabalho, o volume desperdiçado é irrisório, porém, ao longo de um ano, representa centenas de litros queimados sem necessidade e que contribuem para a piora da qualidade do ar”, finaliza.

Vidas poupadas

As condições meteorológicas são desfavoráveis à dispersão dos gases na atmosfera no período do outono e inverno. Os poluentes prejudicam a respiração dos seres vivos e acinzentam edificações. Também são agentes cancerígenos e, a longo prazo, reduzem a expectativa de vida da população. A lista inclui material particulado e óxidos de nitrogênio e de enxofre nos motores diesel e o monóxido de carbono e hidrocarbonetos, nos veículos movidos a gasolina, álcool e gás natural.

O monóxido de carbono diminui a capacidade de oxigenação do cérebro; os hidrocarbonetos agridem olhos, nariz, pele e aparelho respiratório. Os óxidos de nitrogênio provocam irritação e constrição das vias respiratórias (enfisema); os óxidos de enxofre causam odor pungente e irritante (chuva ácida) e o material particulado provoca mal-estar, dor de cabeça, irritação nos olhos, garganta, bronquite, asma e câncer de pulmão.

Pesquisa realizada em 2001 pela Faculdade de Medicina da USP, publicada nas revistas Science e Environmental Health Perspectives, revelou que caso o índice de emissão de dois poluentes (material particulado e ozônio) caísse 10% em um ano seria possível poupar 700 vidas. E seriam evitadas 7 mil internações, cem mil faltas ao trabalho por asma, bronquite e rinite causadas pelos escapamentos dos carros e caminhões.


Escala de Ringelmann

Para aferir a emissão de poluentes nos veículos a diesel, a Cetesb utiliza a Escala de Ringelmann. Trata-se de um cartão de papel, com um furo no meio, que permite ao fiscal comparar rapidamente o tom de cinza da fumaça do escapamento com as cinco tonalidades de cor impressas no cartão. A primeira gradação, de 20%, indica emissão dentro do volume previsto em lei; as demais, de 40%, 60%, 80% e 100%, são irregulares e recebem multa.

A medição é realizada em ruas e rodovias, de preferência em dias ensolarados. Os fiscais se dividem em dois grupos: o primeiro permanece num local plano antes de uma subida – que pode ser um semáforo ou trecho de deslocamento em baixa velocidade.

O técnico posiciona-se de costas para o sol e estende o braço com o cartão na direção do tubo do escapamento, a uma distância que varia entre 20 e 50 metros. Dessa forma, olha pelo orifício do papel e compara a cor da fumaça com o padrão colorimétrico da lei. Se estiver com emissão acima do permitido, avisa por rádio o outro grupo de fiscais, que se posiciona no final da subida para multar o infrator.

As blitzes são realizadas em todo o Estado e a Cetesb dispõe de 300 profissionais para a atividade. Os locais selecionados são as vias urbanas com intenso tráfego de veículos pesados, como a Avenida dos Bandeirantes, na capital, e também em locais de grande aglomeração, como a Via Anchieta, próxima ao Porto de Santos.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 23/06/2005. (PDF)