IPT cria primeiro laboratório anti-vírus da América Latina

Contrato de parceria assinado entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a subsidiária brasileira da multinacional sul-coreana Hauri definiu a criação do primeiro laboratório de antivírus da América Latina. O centro será instalado na sede do IPT, na capital, e vai adequar as aplicações de segurança da empresa estrangeira às necessidades do mercado nacional.

Na opinião de Cláudio Luiz Marte, diretor da divisão de informática e telecomunicações do instituto, a combinação de competência tecnológica com o uso de ferramentas ajustadas possibilitarão prevenir e combater crimes digitais (cibercrimes).

“O planejamento estruturado permite desativar qualquer vírus, por mais destrutivo que seja. Esta parceria vai organizar soluções de caráter multidisciplinar e oferecer suporte para setores governamentais e financeiros”, afirmou o pesquisador do IPT, Antonio Rigo, na solenidade de inauguração do laboratório.

Crime cibernético

O vice-presidente internacional da Hauri, o brasileiro Paulo Tonetto, acredita que para aumentar a segurança e a eficiência dos dispositivos de proteção será preciso investir em soluções conjuntas e na conscientização internacional dos perigos do crime cibernético.

“Este é um problema social e não deve ser combatido somente por empresas interessadas em criar vacinas e vendê-las como solução. O laboratório brasileiro iniciará suas atividades no dia 5 de julho e será hospedeiro e co-gestor no desenvolvimento de produtos”, esclareceu Tonetto.

O pesquisador lembrou que tecnologia é uma ferramenta capaz de potencializar a habilidade humana. “A parceria IPT-Hauri pode equilibrar forças, criar mecanismos de defesa e resistir ao avanço do crime digital. O aplicativo oferecido é capaz de estancar a ação do vírus e recuperar no disco rígido as informações danificadas pelo invasor”, acrescentou.


1,3 mil vírus ativos: ameaça mundial de infestação de redes

A Hauri afirma que foram criados até hoje 85 mil vírus de computador no mundo, 34 mil deles até 1995. Cerca de 1,3 mil estão ativos e representam ameaça mundial de infestação de redes. No Brasil, o número de ataques a servidores e sites chega a 2 mil por mês, quase 10% do volume médio registrado mensalmente em 2004 no resto do mundo – prova do estágio avançado dos criminosos virtuais (hackers) brasileiros.

No ano passado, segundo análises de mercado publicadas na mídia, as invasões em todo o planeta chegaram a 400 mil, crescimento de 36% em relação a 2003. Os países latino-americanos representam menos de 5% do faturamento mundial de soluções antivírus e revelam a necessidade de proteção e investimento no ambiente virtual brasileiro.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página IV do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 26/05/2005. (PDF)

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