Agricultura inicia hoje campanha contra morte súbita de citros

Serão distribuídos folhetos orientando produtores sobre a doença que ataca pomares paulistas, mineiros e paranaenses, com prejuízos de US$ 20 mil

A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento lança hoje, às 10 horas, no salão nobre da instituição, a campanha de orientação aos citricultores sobre a praga da Morte Súbita dos Citros (MSC). No encontro, serão distribuídos cartazes e folhetos informativos da doença, que está atacando os maiores Estados produtores da fruta no Brasil: São Paulo, Minas Gerais e Paraná contabilizam prejuízos da ordem de US$ 20 milhões.

O objetivo é orientar os produtores quanto à existência da doença, sintomas e procedimentos a serem adotados em caso de contaminação. Na oportunidade, dois mil técnicos treinados pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral iniciarão o treinamento.

Operação varredura

O mutirão contra a MSC conta também com três mil fiscais da defesa agropecuária comprometidos na varredura dos laranjais. A operação será feita em até seis meses nas áreas de maior risco de contágio nos pomares paulistas, mineiros e paranaenses. Ela será intensificada com pesquisas sobre o agente causador da doença, forma de diagnóstico precoce e controle.

A operação foi definida pela força-tarefa formada pelas Secretarias de Agricultura dos três Estados, Ministério da Agricultura, Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e representantes da cadeia produtiva. O grupo foi criado no Palácio dos Bandeirantes, no dia 7 de fevereiro.

Importância econômica

A laranja é um insumo de peso no agronegócio paulista e brasileiro. “São Paulo responde por 97% das exportações nacionais de suco, e os pomares do Estado têm 200 milhões de pés. Se o País detém 29% do total mundial, isoladamente produzimos 21%. De cada dez copos de suco de laranja consumidos no mundo, cinco são originários de pomares paulistas” explica Duarte Nogueira, secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento.

São Paulo tem o maior parque cítrico do planeta. É o principal produtor e exportador, com 50% do mercado externo mundial. As plantações ocupam um área de mais de 650 mil hectares, em mais da metade dos 645 municípios paulistas.

A cadeia da laranja movimenta anualmente US$ 5 bilhões e gera 400 mil empregos diretos. No ranking do valor da produção agropecuária do Estado, a laranja detém a terceira posição, atrás somente da cana-de-açúcar e da carne bovina.

O que é a MSC

A MSC é uma doença de combinação copa/porta-enxerto que atinge somente as plantas enxertadas em limão-cravo (80% dos pomares paulistas) e seca a raiz da árvore. A ciência ainda não detectou qual é o agente causador do mal, que destrói o sistema radicular e, em alguns casos, pode matar a laranjeira em poucos dias. Daí o nome morte súbita.

A maior incidência está no sul de Minas Gerais, no Triângulo Mineiro, região onde 93% das plantas inspecionadas apresentam a praga. A infestação abrange os municípios de Uberlândia, Comendador Gomes, Frutal, Monte Alegre de Minas, Prata, Campo Florido e Planura.

De acordo com a Fundecitrus, São Paulo tem um milhão de plantas contaminadas, concentradas na região norte do Estado, nas cidades de Colômbia, Guaraci, Altair, Barretos e Olímpia.

Rogério Mascia Silveira
Da Agência Imprensa Oficial

Reportagem publicada originalmente na página II do Poder Executivo I e II do Diário Oficial do Estado de SP do dia 18/03/2003. (PDF)

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